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Faleceu o desenhista Jack Davis

2 agosto 2016

Jack Davis, um dos grandes artistas da revista MAD, faleceu no dia 27 de julho, devido a complicações médicas após um acidente vascular cerebral. Ele tinha 91 anos.

John Burton "Jack" Davis, Jr. nasceu no dia 2 de dezembro de 1924, em Atlanta, na Geórgia, nos Estados Unidos. Aos 12 anos, publicou sua primeira HQ, na revista infanto-juvenil, Tip Top Comics # 9, em novembro de 1936. Durante a Segunda Guerra Mundial, serviu com os Marines, e criou a tira Boondocker para o jornal militar Navy News.

Após o conflito, ele passou a fazer ilustrações para um jornal da Universidade da Geórgia e material publicitário para a Coca-Cola.

Em 1949, Davis ilustrou um manual para a Coca-Cola, que lhe rendeu dinheiro suficiente para comprar um carro e viajar para Nova York, pois o mercado de trabalho era melhor naquela cidade.

Jack Davis

Em Nova York, ele estudou desenho na Art Students League e trabalhou para o Herald Tribune Syndicate, como assistente de Ed Dodd, na tira Mark Trail, e como arte-finalista de Mike Roy, na tira The Saint (O Santo), entre 1949 e 1950.

Davis criou uma tira de humor, Beauregard, sobre a Guerra Civil dos Estados Unidos, que foi distribuída pelo McClure Syndicate, mas sem muito sucesso.

Em 1950, depois de um período difícil, no qual teve seu carro roubado, Jack Davis começou seu trabalho para a EC Comics, com os editores Al Feldstein e Harvey Kurtzman. Sua primeira HQ na editora, sobre a múmia, saiu em Haunt of Fear # 45. Ele ilustrou dezenas de títulos da EC, como Vault of Horror, Tales from the Crypt, The Haunt of Fear, Frontline Combat, Two-Fisted Tales, Piracy, Incredible Science Fiction, Crime Suspenstories, Shock Suspenstories e Terror Illustrated.

Davis é mais lembrado pelo seu trabalho para a revista MAD, que começou com o início do título, em 1952. Ele também ilustrou HQs para outras revista de humor da EC Comics, como Panic e Cracked.

Na MAD, ele se destacou com suas paródias de filmes e por seu estilo de desenho, que se caracterizava pelas suas figuras humanas distorcidas, fora de proporção, com cabeças grandes, braços e pernas finas e pés enormes.

William M. Gaines, Al Feldstein e Harvey Kurtzman, os editores da EC Comics, disseram que naquele período, Davis era o artista mais rápido trabalhando para eles, capaz de desenhar e arte-finalizar até três páginas por dia.

O livro infame Sedução dos Inocentes, de Fredric Wertham – publicado em 1954 – incluía dois quadros de histórias ilustradas por Davis, para a EC Comics, como exemplos das HQs que estavam corrompendo os jovens estadunidenses.

Quando a EC Comics quebrou em função da perseguição aos quadrinhos, em 1955, Davis continuou a trabalhar para a revista MAD, um dos únicos títulos clássicos da editora que sobreviveram a essa crise. No ano seguinte, Harvey Kurtzman saiu da editora e passou a publicar um título similar, Trump, publicado por Hugh Hefner, da revista Playboy.

Davis foi colaborador de Kurtzman não apenas em Trump, mas em outras publicações, como Humbug e Help!. Ele voltaria a desenhar regularmente para a MAD por volta de 1964, participando de quase todas as edições – e fazendo muitas capas – por várias décadas.

No final da década de 1950 e início da de 1960, Davis fez várias histórias de faroeste para a Atlas Comics (antes de a editora mudar o nome para Marvel Comics), incluindo três edições de Rawhide Kid (Billy Blue, no Brasil).

Também foi nesse período que Davis passou a fazer capas de LPs – muitas trilhas sonoras de filmes e o álbum Everybody Loves a Nut, de Johnny Cash –, cartazes de cinema, capas de livros de revistas como Time e TV Guide. Seus cartazes de filmes incluem: Os russos estão chegando! Os russos estão chegando!; Bananas, de Woody Allen; Deu a Louca no Mundo – e também as ilustrações do blu-ray lançado pela Criterion Collection, em 2014; Um Convidado Bem Trapalhão; Inspetor Clouseau; criou o visual dos personagens de A Festa do Monstro Maluco – cujo cartaz é de Frank Frazetta; Um Perigoso Adeus; Os Guerreiros Pilantras etc.

A Dell Comics publicou, em 1961, a revista Yak Yak, escrita, ilustrada e editada por Davis.

Na década de 1970, Davis publicou uma série regular na Quarterback Magazine, chamada Superfan, que tinha enredo de Nick Meglin, um de seus colegas da MAD.

Davis recebeu diversos prêmios. Em 1981, recebeu um prêmio da National Cartoonists' Society, como melhor ilustrador publicitário. A mesma entidade voltaria a lhe consagrar em 1996, com o Prêmio Milton Caniff, pelo conjunto de sua obra; e em 2001, entregando o Reuben Award, como o Melhor Cartunista daquele ano.

Ele também foi ganhador do Prêmio Inkpot, em 1985; e passou a fazer parte do Will Eisner Hall of Fame, em 2003.

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