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História em Quadrinhos e Arquitetura, da Marca de Fantasia

19 abril 2004

História em Quadrinhos e ArquiteturaHistória em Quadrinhos e Arquitetura (formato 12 x 18 cm, 80 páginas, R$ 9,00) é o novo lançamento da Marca de Fantasia.

Edgar Franco, o autor, é arquiteto e quadrinhista, e traça a interseção entre estas duas expressões artísticas. O título é o quarto volume da Coleção Quiosque, que apresenta ensaios sobre quadrinhos, comunicação e artes em geral.

É muito curiosa a proximidade entre os quadrinhos e a arquitetura. Ambos têm no desenho sua forma de expressão; nos quadrinhos, representando as seqüências e rupturas espaciais; na arquitetura, a virtualidade da representação espacial.

Contudo, muito acima desses fatores meramente técnicos, o que leva o arquiteto ao encontro do quadrinhista é a possibilidade de criação ilimitada de mundos, universos, contextos sociais, personalidades e personagens que atuarão nesse espaço irreal.

O lado mais interessante desses dois artistas do traço é o exercício de seu espírito lúdico. Como não associar os quadrinhos aos jogos infantis, com suas representações imaginárias de mocinhos e bandidos, esconderijos, casas de bonecas, castelos encantados e mundos de assombração? O arquiteto não estaria fazendo o mesmo ao projetar cidades, condomínios, fábricas e residências que imaginar labirintos e minotauros, jogos de armar e de tabuleiros?

Se por um lado o arquiteto tem um objetivo claro, que deve responder à funcionalidade de sua criação, é justamente nos quadrinhos onde ele pode exercer todo seu potencial imaginativo. Seja na idealização de civilizações perdidas, seja na ambientação de espaços urbanos atuais, seja na invenção pura e simples de outros mundos, algo como uma ciência da antecipação.

Poder-se-ia dizer que esse caráter criativo, ou prospectivo, ou voltado à crônica do quotidiano, ou premonitório, não é um privilégio do quadrinhista nem do arquiteto, mas que outras artes podem igualmente utilizar o mesmo campo de criação, a exemplo do teatro, e particularmente do cinema.

No entanto, é nos quadrinhos onde os limites são inexistentes, nem físicos nem orçamentários, bastando para o artista a utilização de materiais rudimentares. De seu papel e lápis podem surgir palácios, máquinas fabulosas, planetas e civilizações distantes, as mais exuberantes construções, as invenções mais fantásticas.

Ainda que o arquiteto possa projetar tudo isso, sua arte não se realiza se não for executada, se não ganhar vida concreta pela ocupação de seus destinatários. O mundo imaginário do quadrinhista só pede a cumplicidade do leitor, pois a arte do criador tem no desenho o seu fim.

É esta realização sem condicionantes, sem contingentes, sem fronteiras físicas e espaciais que certamente seduz o arquiteto, não sendo raros os casos de arquitetos que se tornam quadrinhistas. Imaginamos que mais que esse objetivo prático de realização por meio das imagens desenhadas está o resgate da liberdade infantil, assim como a possibilidade do fazer poético, num mundo cada vez mais instrumental.

Edgar Franco parece enxergar os quadrinhos como o espaço dessas possibilidades infinitas por meio de seu universo mítico, poético, surreal e filosófico.

Num panorama que vai dos primórdios da linguagem ilustrada e seqüencial aos quadrinhos contemporâneos, ele traça com inúmeros exemplos as diversas expressões de quadrinhistas que buscaram na arquitetura o elemento fundamental para a realização de suas narrativas. Assim como nos aponta os arquitetos que ultrapassaram a fronteira do racionalismo para se fazer concretos no mundo dos sonhos.

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