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Marca de Fantasia lança The Paraibanos de Subúrbio, de Laerçon Santos

6 fevereiro 2004

The Paraibanos de SubúrbioA editora paraibana Marca de Fantasia acaba de lançar mais um álbum independente. Desta vez, trata-se de The Paraibanos de Subúrbio, de Laerçon Santos (formato, 14c x 20cm, 48 páginas, preto-e-branco, R$ 7,00, com frete incluso).

No universo das histórias em quadrinhos é fácil ceder ao gosto médio do público, bem como reverenciar as fórmulas estabelecidas. De outra forma, não teríamos tantos simulacros de super-heróis e quadrinhos japoneses embarcando nos clichês desgastados ou na onda do momento.

Laerçon Santos segue na contra-mão da massa, optando por uma criação das mais originais e a quilômetros de qualquer tendência artística. O fato de ter seu trabalho voltado para o humor já demonstra uma escolha de um gênero não tão fácil quantos os demais.

Para fazer tiras é preciso ter uma visão crítica aguçada, uma boa dose de ironia e, evidentemente, bastante humor. Ingredientes raros de se achar em confluência.

O trabalho de Laerçon passa mesmo ao largo das tiras que vemos na imprensa e nas publicações independentes. Ao invés do bom gosto, do traço rebuscado, do capricho no texto, ele ignora todas as regras e faz garatujas quase esboçadas, o descuido com a língua, um show pirotécnico de palavrões e grosserias e um humor verdadeiramente histriônico, que não poupa nem as mais sagradas instituições.

E é este humor radical que tem conquistado um público cativo, o dos fanzines e revistas independentes, que são as pessoas mais argutas do meio.

Nas crônicas urbanas de Laerçon são encontrados algumas personagens memoráveis, como The Paraibanos de Subúrbio, Zé Boy e Carta para Afras, que contam de maneira escrachada e irreverente as aventuras dos punks na selva urbana e outras figuras que habitam o submundo.

Desbocados, amorais e iconoclastas, os Paraibanos de Subúrbio chegam a gozar com o mito dos falsos profetas, ridicularizando os pregadores da atualidade, na HQ Jesus Cristo do Paraguai. É esse humor incondicional que compensa o tosco grafismo de Laerçon, que, de certa forma, já se tornou a marca indissociável dois personagens.

Já a série O Pato de Botas é dedicada ao reino animal, e é nela que Laerçon mantém seu humor ferino com o domínio de linguagem que lhe compete. No seio de tantos quadrinhos pasteurizados e comerciais, e produções amadoras sem grandes afirmações autorais, o autor traz ventos benéficos para a renovação de nossos quadrinhos e para a provocação do meio.

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