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Os cinco plots mais idiotas do Homem-Aranha
Por Pablo Casado
(24/01/08)
Atenção, leitor: o texto a seguir revela alguns fatos que aconteceram
recentemente com o Homem-Aranha nos Estados Unidos e podem estragar o
prazer de sua leitura futura.
One
More Day, a saga que deu um reset na vida do Homem-Aranha,
provocou todo tipo de reação por parte dos leitores e da crítica especializada.
E por mais que Brand New Day, inicialmente, esteja sendo timidamente
bem recebida, a resolução mágica dos problemas matrimoniais e de identidade
secreta do herói não será esquecida tão cedo.
John Marcotte, do blog norte-americano Badmouth,
aproveitou o rebuliço causado por One More Day para relembrar alguns
dos plots mais estúpidos utilizados em histórias do Cabeça-de-Teia.
É coisa para fazer Mefisto se contorcer de inveja.
5. A Saga dos Seis Braços, por Stan Lee, Roy Thomas e Gil Kane
O arco (como mostrado pela Editora Abril em A Teia do Aranha
# 17, de 1991) mostra Peter Parker tentando encontrar uma fórmula
para acabar com seus superpoderes. Mas as coisas não saem como o planejado
e, em vez de voltar a ser uma pessoal normal, o herói ganha mais quatro
braços, totalizando seis membros superiores. A idéia foi copiada por Louise
Simonson e Rob Liefeld em sua fase na revista dos Novos Mutantes, dando
origem a um mutante terrorista.
4. O Aranhamóvel, por Gerry Conway e Ross Andru
Em troca de publicidade, a Carona Motors cria para o Homem-Aranha um carro
que não polui o meio-ambiente. Com a ajuda de Johnny Storm, o Tocha-Humana,
ele faz modificações no "carango" e o transforma no aranhamóvel. Este
resumo fala por si. Para saber mais, basta procurar nos sebos o gibi A
Teia do Aranha # 25, publicado pela Editora Abril em 1991.
3. Doutor Octopus casa com a Tia May, por Gerry Conway e Ross Andru
Tia May herda uma mina de urânio de um parente nunca visto antes. Otto
Octavius, percebendo nisso uma oportunidade de ouro, decide se casar com
a velhinha, roubar a mina e depois dar um "chute no traseiro" da pobre
senhora. E é claro que o Homem-Aranha fez de tudo para impedir o casório.
A idéia não é apenas ridícula, mas implausível. O quase casamento também
pode ser visto em A Teia do Aranha # 25.
2. Pecados Pretéritos, por J. Michael Straczynski e Mike Deodato
E o segundo lugar fica para um arco publicado nos anos 2000, cortesia
do criador da série de TV Babylon 5. Como se já não bastasse
incluir elementos totêmicos na origem do herói (numa de suas muitas tentativas
de emular conceitos elaborados por Alan Moore), Straczynski levou Gwen
Stacy à Europa e a fez ter um tórrido romance com Norman Osborn, o Duende
Verde. E não parou por aí: ela teve um casal de gêmeos, alterados geneticamente
e criados para acabar com a raça do Homem-Aranha quando crescessem (ou
seja, dois ou três anos depois de terem nascido). O arco foi publicado
no Brasil pela Panini Comics, em 2005, nos gibis Homem-Aranha
# 41 a # 46.
1. A Saga do Clone, por Howard Mackie e vários outros artistas
Não é de se estranhar que uma das fases mais execradas do Homem-Aranha
tenha ficado em primeiro lugar na lista de Marcotte. Durante uma bela
quantidade de anos, as séries principais do Homem-Aranha foram tomadas
pela dúvida shakesperiana do ser ou não ser um clone. Tudo graças ao vilão
Chacal, que clonou a si mesmo, Gwen Stacy e o herói aracnídeo - dando
vida ao carismático clone Ben Reilly -, com o intuito final de eliminar
Peter Parker. A saga sem fim causou confusão, irritação, troca de papéis
e o estapafúrdio retorno de Norman Osborn, que, na verdade, não tinha
morrido coisa nenhuma (pelo menos, foi o que a Marvel disse). Quantas
árvores não foram sacrificadas para que se contasse uma história tão ruim
assim? No Brasil, saiu em Homem-Aranha e A Teia do Aranha,
entre 1997 e 1998, pela Editora Abril.
Será que um dia a Saga do Clone será batida? Nas palavras de John
Marcotte: "Sempre teremos o ano que vem".
 
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