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Michael Jackson: os quadrinhos na vida do rei do pop
Dos gibis que colecionava à tentativa de comprar a Marvel Comics, passando pelas participações em HQs e desenhos animados, Michael Jackson sempre esteve ligado aos quadrinhos.
Por Marcus Ramone
(29/06/09)
O último dia 25 de junho ficará registrado como um dos mais tristes da
história da cultura pop internacional. Com a morte do cantor e dançarino
Michael Jackson, o mundo da música perdeu um de seus mais representativos
e carismáticos ícones.
Em meio à comoção de fãs e admiradores, os momentos marcantes da vida
do artista estão sendo trazidos à tona, formando o mosaico de lembranças
positivas que, não raro na memória coletiva sobre os ídolos mortos, legará
aos escândalos - nos quais o astro costumava se envolver - a mera insignificância.
Para os leitores de quadrinhos, a imagem de Michael Jackson também está
marcada. Figura afeita aos holofotes da mídia, ele não precisava de muito
esforço para chamar a atenção da nona arte.
Reinando nos gibis
Ainda
na década de 1980, quando as canções que gravava era o principal motivo
de suas incursões nos quadrinhos, Jackson podia ser visto com frequência
nos gibis brasileiros.
Datam dessa época as primeiras aparições do cantor nas revistas da Turma
da Mônica. Nos anos seguintes, tantas foram suas participações ao
lado dos personagens de Mauricio de Sousa quanto é difícil numerá-las.
Os saudosos e satíricos gibis Os Trapalhões e As Aventura do
Didi, ambos da Bloch Editores, eternizaram o artista em diversas
edições, nos anos 1980, invariavelmente rebatizado como "Maico Jeca" e
outras brincadeiras com a sonoridade de seu nome.
A Disney, em vários países, incluindo o Brasil, retratou muitas
vezes nas HQs o astro da música, mesmo nas fases em que esteve envolvido
com acusações de pedofilia.
É interessante notar que, até algum esquecido registro provar o contrário,
o lado negativo e polêmico da história de Jackson jamais foi mostrado
nos quadrinhos da turma de Patópolis. Uma edição de Disney Adventures,
lançada nos Estados Unidos em 1990, chegou a colocá-lo em destaque na
capa ao lado de Pinóquio, um de seus personagens preferidos.
O mesmo não se pode dizer das charges e tiras que cartunistas de todo
o mundo produziram sobre ele. A orientação sexual do cantor e os escândalos
em que se metia com crianças - dos quais foi legalmente declarado inocente
- eram o mote preferido para as piadas.
Revistas de quadrinhos humorísticos como a norte-americana Mad
e a brasileira Mundo
Canibal, dedicando diversas páginas, também contribuíram para
o aumento do número de itens dessa imensa lista de galhofas sobre a vida
particular de Jackson.
Mas não apenas publicações infantis ou de humor receberam a visita do
criador da dança moonwalk. É difícil precisar a quantidade de vezes
em que ele foi encontrado em gibis de super-heróis, terror ou de temáticas
adultas diversas, mas poucos se esquecem de sua presença em uma aventura
da minissérie de estreia do personagem Longshot, em 1985, pela
Marvel Comics.
No entanto, foi em 1987, pela Eclipse Comics, nos Estados Unidos,
que o artista protagonizou pela primeira vez uma edição inteira, na adaptação
para o gibi do musical cinematográfico Captain EO, dirigido por
Francis Ford Coppola e estrelado por Jackson.
Dois anos depois, a adaptação em quadrinhos de outro filme - Moonwalker,
de 1988 - do qual também foi protagonista - levou à bancarrota a editora
Blackthorne Publishing. A arrecadação das vendas da revista não
foi suficiente para cobrir o que fora gasto com o licenciamento.
Desenhos animados
Em 1971, no auge da fama de garoto-prodígio que angariou ao liderar o
grupo musical formado com mais quatro de seus muitos irmãos, virou personagem
do desenho animado The Jackson Five, cujos episódios chegaram a
ser exibidos no Brasil. O design foi concebido por Paul Coker,
ilustrador da Mad.
A animação teve duas temporadas e mostrava as aventuras da banda homônima,
cujos integrantes eram dublados por suas contrapartes da vida real.
Mais de 20 anos depois, Jackson voltou a aparecer em um desenho animado,
dessa vez em Os Simpsons, do qual era fã declarado. Na ocasião,
também dublou sua versão cartunesca, mas, por força de um contrato que
o proibia de participar do episódio da série, usou um pseudônimo nos créditos.
Negócios à parte
Leitor, colecionador e fã confesso de quadrinhos, o cantor foi flagrado
algumas vezes por paparazzi visitando comic shops. Tinha
preferência por mangás, embora gostasse bastante de super-heróis e de
criações da Disney. Era um consumidor contumaz.
Em fevereiro de 2009, uma grande variedade de objetos pessoais de Jackson
foi colocada em leilão. Na lista de itens, havia memorabilias relacionadas
às HQs, como escultura do Super-Homem e estátuas em "tamanho real" do
Homem-Aranha, além de gibis e outros artigos que incluíam pôster autografado
pelo ilustrador Alex Ross e um game dos X-Men.
A mais ousada investida do artista no mundo dos quadrinhos foi a tentativa
de comprar a Marvel, em parceria com a Stan Lee Media, empresa
da lenda viva da "Casa das Ideias", Stan Lee.
De acordo com o The Comics
Journal, em reportagem publicada há quatro anos, isso aconteceu
no final da década passada. O astronômico valor de mercado da companhia
teria impossibilitado o negócio.
O encontro entre Michael Jackson e o criador do Homem-Aranha foi registrado
em vídeo e pode ser assistido
no YouTube.
O adeus
O astro pop continuará por algum tempo dando o ar da graça nos quadrinhos,
pelo menos enquanto durarem as reverências que, desde o anúncio de sua
morte, vem recebendo de profissionais das HQs.
Uma das próximas está agendada para setembro deste ano, em Mônica #
33, na história À espera de um astro, de acordo com as imagens
(ver esboço ao lado) divulgadas por Mauricio de Sousa, via Twitter,
sobre a homenagem da Turma do Penadinho ao rei do pop.
Os chargistas, por outro lado, despedem-se à sua maneira do artista. Duas
simbólicas charges, uma produzida por Gió e outra pela dupla Alexandre
Affonso e Victor Mazzei, reproduzidas aqui e publicadas originalmente
nos sites Charge
Online e Nadaver,
comprovam que, até na morte, ele ainda é uma rica fonte de inspiração
para piadas.
No resto do mundo não é diferente. Acessando o Political Cartoon
- que reuniu mais de 200 charges sobre o óbito do cantor, criadas por
cartunistas de diversos países - é possível encontrar as gozações de praxe,
entremeadas por veladas mensagens de pesar.
Não será mesmo fácil se esquecer de Michael Joseph Jackson.
Marcus Ramone, punk rocker por natureza e headbanger
por convicção, admite curtir as músicas de Michael Jackson. Testemunhas
afirmam ter visto a coleção completa dos discos do cantor na estante do
articulista, mas ele jura que só tem o clássico Thriller. "É bem roqueiro,
tem até guitarra do Van Halen em Beat it", costuma argumentar.
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