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Graphic novel é proibida no Egito e autor é multado

Por Diego Figueira, responsável pelo Pop Balões   Siga Diego Figueira no Twitter   | 27-11-09

MetroNo último dia 20 de novembro, um tribunal do Egito proibiu a circulação da graphic novel Metro, de autoria de Magdy L Shafee, publicada no país em 2008. A alegação é de que a obra infringe a decência pública, baseada no argumento de que possui conteúdo sexual.

Segundo a decisão do tribunal, a publicação, que em abril do ano passado já teve todos os seus exemplares confiscados do escritório da editora pela polícia, fica proibida de ser impressa e distribuída no Egito.

Na ocasião do lançamento, Shafee e o editor Mohamed El-Sharqawy foram detidos sob a acusação de ofensa da moral pública e uso de linguagem obscena. No julgamento da semana passada, a corte rejeitou a apelação que os dois fizeram contra decisão anterior da promotoria pública de proibir a graphic novel. Cada um foi multado em valores equivalentes a aproximadamente R$ 1.600,00.

MetroShafee disse que ele e o editor ainda vão recorrer da decisão. "É antiético suprimir a liberdade de expressão e retirar os livros do mercado", afirmou a um jornal egípcio. "Isso é sobre mais do que Metro. Se continuarmos passivos, perderemos nossos direitos".

Os advogados de defesa alegam inconstitucionalidade dos artigos em que as acusações se baseiam e que nenhuma violação foi cometida, porque os acontecimentos mostrados na obra transcorrem em um contexto artístico.

Metro é considerada a primeira graphic novel em língua árabe e a primeira história em quadrinhos egípcia voltada para adultos. A obra, ambientada na cidade do Cairo contemporânea, narra a história de Shihab, um jovem designer de softwares que, devido a uma dívida com funcionários corruptos do governo, decide roubar um banco.

A decisão do tribunal motivou reações da imprensa especializada em quadrinhos e entidades de defesa dos direitos humanos do mundo todo.

Metro Rich Johnston, do site norte-americano Bleeding Cool, afirmou: "É uma pena que o Comic Book Legal Defense Found (nota do UHQ: entidade que defende a liberdade de expressão e direitos de autores de histórias em quadrinhos) atue apenas dentro da fronteira dos Estados Unidos".

Gamal Eid, diretor da Arab Network for Human Rights Information - ANHRI, disse: "Não há país que exerça a liberdade e proíba livros". E acrescentou: "Tribunais não são o lugar para crítica literária".

Confira algumas imagens de Metro (os textos dos balões e recordatórios foram traduzidos para o inglês por Humphrey Davies).

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