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O retorno do formatinho à Editora Abril
Com as novas revistas da linha Planeta DC, a Editora Abril
retoma a publicação do formatinho como principal arma para concorrer com
a Panini no mercado de super-heróis; e ainda anuncia exclusividade
dos títulos da DC Comics
Por Samir Naliato
Um
ano e sete meses. Esse foi o tempo que durou a linha Premium, lançada
pela Editora Abril
em agosto de 2000. Depois de deixar de publicar os personagens
da Marvel, a editora resolveu reformular completamente suas
revistas dos heróis da DC
Comics, e a principal novidade está no retorno dos famosos e controversos
formatinhos.
Ao todo, serão cinco revistas quinzenais (totalizando 10 por mês) com
50 páginas, papel jornal e ao preço de R$ 2,50. São elas Superman,
Batman, Batsquad, Liga da Justiça e Defensores.
"Se o seu personagem preferido é o Homem de Aço, não deixe de ler a revista
Superman. Para quem procura aventuras exclusivas do Homem-Morcego,
o endereço é a revista Batman. Já as missões da força-tarefa do
herói (Robin, Asa Noturna, Batgirl, Azrael e Oráculo) podem ser vistas
em Batsquad", disse o editor-chefe Marco Moretti.
"Os
desafios que aguardam a mais poderosa equipe de vigilantes do planeta
acontecem na revista Liga da Justiça, que também vai apresentar
outros dois supergrupos da pesada: Sociedade da Justiça e Titãs. E as
histórias solo da Mulher-Maravilha de Phil Jimenez, Flash, Lanterna Verde
e Gavião Negro serão mostradas em Defensores", completou.
Os novos títulos possuirão também seção de cartas, checklist, matérias,
agenda de eventos e entrevistas com escritores e desenhistas. Na estréia,
os leitores verão a saga Mundos em Guerra,
que afetará principalmente o Super-Homem e a Mulher-Maravilha, e cuja
duração será de dois meses. Além disso, duas edições especiais serão lançadas
(Mundos em Guerra Especial #1 e #2), em maio e junho, respectivamente.
Até o momento, parece não existir planos para retomar o esquema de assinaturas.
Confusões, atrasos e desencontros
Quando
a Panini Comics
assumiu os títulos Marvel,
a indústria de quadrinhos no Brasil sofreu uma mudança inesperada. A Abril
decidiu investir forte nos heróis da DC,
e anunciou novas revistas para o mês de abril.
Seriam cinco títulos mensais de 100 páginas e formato 28 x 19 cm, com
um preço menor que o da concorrente. A notícia foi difundida
nos meios de comunicação, e chegou a sair até mesmo nas últimas edições
de Superman e Batman Premium.
Mas os planos acabaram mudando. A editora resolveu voltar atrás na sua
decisão e ressuscitar o mesmo formatinho que, meses antes, era "abominado"
pela empresa, na tentativa de baratear as revistas. Com tudo isso, o lançamento
em abril se tornou impraticável, e foi adiado para 10 de maio.
Mesmo
com a nova data, algumas edições foram distribuídas, por engano, algumas
semanas antes para comic shops de São Paulo, e vários leitores
puderam comprar e ler Superman #1, Batman #1 e Batsquad
#1.
Uma das lojas que comercializaram exemplares foi a Super. "Recebemos
na sexta-feira (dia 3 de maio) às 20h, 15 exemplares de cada", contou
o dono da gibiteria, Eder Pereira Russo ao Universo HQ. "Abri às
12 no sábado, e uma hora depois não tinha mais nenhum exemplar. A maior
parte dos clientes reclamou sobre a volta do formatinho e sobre a qualidade:
os papéis da capa e do miolo estão muito finos. Alguns disseram que só
vão comprar as edições importadas daqui pra frente. Outros vão comprar
para não estragar a coleção, mas, no geral, não estão satisfeitos. Mesmo
assim, no final, não posso negar que foi um sucesso".
Para corrigir o erro, a editora pediu para que as vendas fossem suspensas.
Além disso, veio mais um adiamento, e a data de lançamento mudou para
17 de maio, quando os 5 títulos chegaram juntos às bancas. As edições
número 2 também podem ser lançados simultaneamente.
Investimento em propaganda e divulgação
O
motivo desse segundo adiamento, segundo a Editora Abril, é um investimento
pesado em um plano de marketing para os títulos, como nunca antes
visto no Brasil. A campanha publicitária foi criada pela empresa WG,
e incluirá mídias, faixas em bancas, metrô, rádio, ponto de ônibus e até
mesmo comercial de TV.
As primeiras imagens desses anúncios foram divulgados no site da editora,
assim como a propaganda para a TV, e a promessa é que muito mais seja
feito para promover o lançamento das novas revistas.
Os comerciais sobre Planeta DC serão exibidos, a partir do dia
23 de maio, no SBT, Record (programa da Eliana), Rede
Globo (em vários horários, especialmente no desenho animado do Homem-Aranha),
Cartoon Network, Warner (durante o seriado Smallville),
MTV (no reality show Os Osbournes), Fox e USA.
E a aposta no retorno é grande. De acordo com o site
de publicidade da editora, a tiragem de cada edição é de 50 mil exemplares.
Custo X Benefício
Sendo
publicado no Brasil há mais de 20 anos, os formatinhos quase chegaram
à extinção quando a Editora Abril resolveu lançar a linha Premium.
Eram revistas de 160 páginas, papel LWC, capa cartonada e formato americano.
O preço assustou: R$ 10,00.
A editora declarou, diversas vezes, que o formatinho estava descartado
definitivamente, e não tinha a menor chance de ser retomado. No mercado
de super-heróis, ele só não sumiu totalmente, porque a Pandora
Books (com Almanaque Marvel) e a Brainstore
Editora (com DC Millennium) resolveram enveredar por esse
caminho, procurando soluções mais baratas para o bolso do leitor.
Por que voltar com os formatinhos? Em declaração ao jornal Tribuna
de Santos, Moretti explicou a decisão. "Vamos reconquistar nosso
antigo público, tornando nossas revistas mais acessíveis", disse.
A
opinião sobre as Premiuns também mudou. Moretti admitiu o seu alto
custo e a dificuldade dos leitores em acompanhar as histórias. "Tínhamos
planejado terminar com a linha Premium, que tem um conceito elitista.
Afinal, custava R$ 10,00 por edição, e dificultava o surgimento de novos
leitores. Mas não cogitávamos voltar para o formatinho", esclareceu.
Entretanto,
essa foi a solução que a editora encontrou para tentar aumentar suas vendas
e acirrar a concorrência que acontece nas bancas brasileiras atualmente.
Para Paulo Maffia, o motivo não foi apenas um só. "Foram vários, mas o
principal foi que, como os nossos custos estavam altos, não estávamos
conseguindo chegar a um preço competitivo no formato millenium. Por isso,
optamos pelo formatinho", declarou no fórum de discussão Multiverso
Infinito.
"Outro motivo foi que, se não começássemos a popularizar novamente as
HQs, em poucos anos os leitores sumiriam. Antes que alguém me fale, sei
que o maior responsável por isso foi a linha Premium, mas, lembre-se,
naquela época vivíamos outra administração na editora", declarou Maffia,
numa espécie de mea-culpa da editora.
Futuros lançamentos
Além
das séries regulares, a Editora Abril planeja várias edições especiais
e minisséries de 100 páginas em formato maior e acabamento de luxo.
Para junho, está previsto o lançamento de uma minissérie em três edições
quinzenais do Arqueiro Verde, de Kevin Smith, um grande sucesso nos Estados
Unidos no ano passado, que apresentou a volta do personagem original,
Oliver Queen.
No mesmo mês, chega também a edição especial JLA: Heaven's Ladder,
com argumentos de Mark Waid e desenhos de Bryan Hitch. Este foi o primeiro
projeto dos dois profissionais com a equipe, e foi lançado no mesmo formato
da edição especial Super-Homem: Paz na Terra. A Liga da Justiça
ainda marcará presença com os especiais JLA: A League of One e
JLA: The Nail.
A editora promete ainda a minissérie Deuses de Gotham, com o primeiro
arco de histórias produzido por Phil Jimenez para a Mulher-Maravilha.
Na aventura, a heroína se junta ao Batman para impedir que vilões da cidade
sejam dominados por deuses gregos.

Outros lançamentos serão o especial 11 de Setembro (em homenagem às vítimas aos ataques terroristas nos Estados Unidos), Batman: Dark Victory (de Jeph Loeb e Tim Sale), Power Company, Batgirl: Ano Um, Gotham Girls, JLA/JSA: Virtue and Vice, The Joker: The Last Laugh e Bruce Wayne: Fugitive.
Outra decisão que a Abril reconsiderou foi voltar a publicar materiais da Vertigo. Pelo menos quando o assunto é The Filth, novo projeto de Grant Morrison, que será lançado nos Estados Unidos em meados deste ano. "Nós vamos publicar especiais, independente de que selo for, mas confesso que Vertigo é um pouco mais difícil, por não estar no nosso contrato", falou Maffia. "Acho que não existe nenhum tipo de possibilidade desta linha voltar. Além do mais, considero muito bom o trabalho da Brainstore".
Por fim, a série de republicações continuará. A próxima será Crise nas Infinitas Terras, pela primeira vez em formato americano nas bancas tupiniquins.
Mas nem tudo são lançamentos, e um adiamento já foi confirmado. Cavaleiro das Trevas 2 #3, programada para ter sido lançada no dia 23 de abril, foi adiada até que a revista seja publicada nos Estados Unidos.
Até agora, Frank Miller entregou apenas pouco mais de 60 das 80 páginas para a DC Comics, e a produção já está atrasada há três meses. A bril prometeu publicar por aqui tão logo a obra saia lá fora.
A editora anunciou ainda que assinou um contrato de exclusividade com a DC. "A partir de hoje (17/05) nenhuma editora vai poder licenciar nenhum produto da DC Comics", revelou Maffia no fórum. "Lógico que fica garantido a publicação do que já está sobre contrato em outras editoras (exemplo: o mix da revista DC Millennium, Lobo, Hitman e a linha Vertigo, todas essas da Brainstore) desde que sejam retroativos a essa data. Por isso preparem-se por que vem mais novidades por aí".
Aposta em público infantil
Revistas baseadas em sucesso da televisão também estão nos planos. Smallville, revista do seriado de sucesso homônimo (transmitido pelo canal pago Warner); e Liga da Justiça - O Desenho Animado (que passará no Cartoon Network) serão lançados.
Além disso, a editora publicará os quadrinhos de As Meninas Superpoderosas, Johnny Bravo e Pink e Cérebro, que estão sendo preparados.
Agora só resta à Abril aguardar o resultado das bancas dessa sua nova empreitada. Só assim conseguirá saber se os leitores aprovaram a volta do formatinho e "desculparam" a editora por mudar tanto de opinião nos últimos meses.
Samir Naliato em seus anos de colecionador da DC Comics, já viu suas coleções esticarem e encolherem tantas vezes de tamanho, que até perdeu a conta.
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