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100 BALAS # 33

1 dezembro 2004


Autores: Brian Azzarello (roteiro) e Eduardo Risso (desenhos).

Preço: R$ 7,90

Número de páginas: 24

Data de lançamento: Outubro de 2004

Sinopse: Milo Garret continua a desembaraçar a trama de morte e dólares que aparentemente causou sua desfiguração. Novas peças do quebra-cabeça aparecem na forma de duas belas mulheres. Uma já é conhecida dos leitores, a linda e fria milionária Megan Dietrich.

Milo tem razões para acreditar que ela é o cliente misterioso que contratou Karl Reynolds para obter uma pintura rara. O detetive suspeita que Megan pode ter decidido tratar da aquisição ilegal da peça diretamente com Moe Tannebaum, colocando Reynolds pra escanteio, o que teria enfurecido o marchand.

Megan teria, então, sido obrigada a mandar alguém para "lidar" com Reynolds. Agora, resta comprovar se esta teoria tem fundamento ou não.

Entra em cena também a bela Echo Memoria, que alega ser amante de Moe Tannebaum e precisa dos serviços de Milo para encontrá-lo. Aparentemente, uma tarefa fácil, já que o investigador havia rastreado Moe antes. Mas, como sempre, em 100 Balas a única certeza é o inesperado.

Positivo/Negativo: Na resenha da edição passada foi comentado sobre as peculiaridades dos roteiros de Brian Azzarello, que se utiliza de um tempo narrativo mais dilatado, se comparado ao padrão dos comics. Ele se concentra nos diálogos e na caracterização psicológica dos personagens, em detrimento da ação desenfreada. As cenas de ação não são esquecidas, porém nunca são gratuitas, estão inseridas no contexto da trama, e justamente por isso se tornam mais eletrizantes.

O resultado é uma das séries mais originais dos últimos anos e que certamente imprimirá sua marca entre os melhores quadrinhos autorais da linha de publicações adultas da DC Comics/Vertigo.

Entretanto, cabe ressaltar que o escritor deve dividir uma parcela significativa dos méritos pelo êxito do título com o desenhista Eduardo Risso. O ilustrador argentino deu uma identidade visual única à trama de Azzarello.

Muito além de seu traço virtuoso e de seu domínio dos jogos de contrastes de luz e sombra, salta aos olhos sua capacidade de narrativa visual. Na maioria das seqüências basta ao leitor acompanhar a sucessão de desenhos para entender perfeitamente o que está acontecendo, liberando assim o roteirista para se concentrar em outros aspectos mais sutis.

Para tal, Risso se vale de um repertório de artifícios só disponível aos grandes desenhistas. Ele tem uma impressionante capacidade de representar os mais diversos tipos físicos sem recorrer a estereótipos. Além disso, sabe com poucos transmitir as sensações e sentimentos vivenciados pelos personagens. Seus cenários também são detalhistas e convincentes, mas nunca intrusivos ao olhar do leitor, que permanece focado na trama.

Outro destaque são os enquadramentos, sempre muito originais e que conseguem transmitir a tensão e o ritmo exatos exigidos pelo roteiro. Risso vale-se de diversas tomadas diferentes e vai das panorâmicas aos closes com a mesma mestria.

Com tudo isso, o componente visual é extremamente importante em 100 Balas. Ler uma história da série é uma experiência quase cinematográfica. É praticamente impossível o leitor não ver a ação se desenrolando como um filme em sua cabeça.

Tais características são bastante evidentes neste arco. Em O Cara de Múmia, tanto no roteiro quanto na arte há a mescla perfeita dos filmes policiais noir clássicos com os modernos longas de violência estilizada, produzidos por diretores como Quentin Tarantino, Guy Ritchie e David Fincher.

Um prato cheio para fãs tanto da sétima quanto da nona arte.

Classificação:

4,0

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