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Canil

Editora IndependenteR$ 40,0048 páginasLançado em março de 2020

Autores: Rodrigo Ramos (roteiro) e Marcel Bartholo (desenhos).

8 setembro 2020

Sinopse

Filho de um importante político e preso por um crime que não se lembra de ter cometido, Pedro é o novo detento de um dos piores presídios da região.

Visto como um troféu pelo diretor do local e como um criminoso da pior espécie por seus companheiros de cárcere, Pedro luta para sobreviver dia após dia, em um lugar onde a morte é a única esperança.

Enquanto isso, lida com os mistérios de suas memórias desaparecidas.

Positivo/Negativo

A dupla Ramos e Bartholo já é conhecida por vários leitores. Após Carniça e Lama, mais uma vez os autores unem a mitologia brasileira e o terror para refletir sobre alguma questão social. O que apresentam desta vez é um lobisomem sendo enviado para uma prisão extremamente violenta.

Com ares de obra cinematográfica, é difícil parar a leitura de Canil. Mérito de Marcel Bartholo, que traz agilidade e tensão a cada quadro. Há belas escolhas ao mostrar o olhar do personagem observador e não a cena em si, o que gera curiosidade sobre o que está acontecendo na trama.

E quando o terror chega ao seu ápice, tudo é muito visceral, mais do que em suas obras anteriores.

Curiosamente, a velocidade da narrativa é a grande qualidade e o maior problema da HQ.

Como são poucas páginas, a motivação dos personagens não é aprofundada e às vezes carece de um sentido lógico. É difícil até entender o passado do protagonista, e o mistério acaba sendo raso, gerando um anticlímax.

O sistema prisional brasileiro é demonstrado de forma desumana, mas superficial. Um leitor que desconhece a realidade dos presídios pode até não perceber as nuances da crítica feita pelos autores.

É importante destacar a profunda pesquisa de Rodrigo Ramos apresentada nos extras. Nessas páginas são esclarecidas as escolhas visuais do lobisomem e há um histórico interessante sobre as raízes brasileiras do personagem mitológico.

A obra tem uma capa chamativa, que instiga a leitura. O formato grande (21 x 28 cm) é excelente para o melhor aproveitamento da arte de Bartholo, e faz o leitor passear os olhos por um bom tempo pelas páginas.

Canil pode não ser a melhor obra de terror da dupla, mas, com toda a certeza, demonstra que os trabalhos de Ramos e Bartholo merecem ser acompanhados de perto, sempre à espera do próximo susto.

Classificação:

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