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Estranhos no Paraíso – Volume 3 – Santuário

Editora Devir – Coleção em seis volumesR$ 115,00392 páginasLançado em setembro de 2019

Terry Moore (roteiro e arte) – Originalmente em Strangers in Paradise (Vol. 3) # 18 a # 20 (1998), # 19 a # 24 e # 26 a # 29 (1999), # 30 a # 32 e # 34 a # 37 (2000), # 38 (2001). Tradução de Guilherme Miranda.

12 março 2021

Sinopse

Após dez anos separadas, Katchoo e Francine se reencontram. Mas também retornam as memórias da crise no relacionamento entre as duas.

Positivo/Negativo

O salto no tempo que revelou os anos em que Katchoo e Francine ficaram sem se falar foi plantado por Terry Moore nas edições que compõem o álbum anterior, Ama-me com Ternura. Mas o autor deixou a situação no ar, sem explicar nada sobre o misterioso rompimento, enquanto explorava as personagens antes disso.

O álbum abre voltando a esse tema, com o aguardado reencontro. Mas Moore mantém a postura. A conversa entre as duas amigas é tão longa, que ele abdica mais uma vez dos desenhos pelo texto em prosa (ele vai repetir esse recurso em situação semelhante mais à frente). Só que informações mesmo sobre os motivos pelos quais a situação das personagens chegou a esse ponto são sonegadas.

Jogar pistas falsas, estabelecer uma situação e depois dizer que não é bem assim começa a ficar recorrente na série. Uma edição traz na capa e na abertura da trama Francine vestida de noiva. Mas ainda não é a história do casamento plantada várias histórias atrás, quando a narrativa deu o salto de dez anos no tempo.

Da mesma forma, pelo menos três vezes parece que “o grande momento da separação” chegou, mas ainda não de verdade. E assim Moore vai patinando na trama. Acaba voltando para a aba, que parecia encerrada, das Garotas Parker, a organização criminosa que usa mulheres para manipular e ameaçar poderosos.

E aí entram novas perícias nunca mencionadas dos personagens (como Katchoo como uma repentina gênio do mercado financeiro) e revelações pouco convincentes de parentescos. Elementos que soam como se, naquele momento, o roteirista não sabia muito bem para onde ir com sua história.

No meio disso, algumas páginas são visualmente inspiradas, como a dupla 286/287, em que Katchoo e Francine estão separadas, mas conectadas em pensamento, com cada página espelhando a outra. Ou um abraço entre as protagonistas num quadro menor que os demais, no canto inferior de uma página, com as duas isoladas por muito espaço em branco em volta.

Este terceiro volume da coleção da Devir trouxe as primeiras histórias inéditas de Estranho no Paraíso lançadas no Brasil em seis anos. Mas as sete primeiras estavam no último álbum da série lançado no país antes desta edição: também chamado Santuário, pela HQM Editora.

A edição mantém o padrão dos volumes anteriores, com capa dura, em dimensões 17 x 26 cm. Uma boa diferença é que as capas originais, que antes apareciam minúsculas, amontoadas em uma galeria no final do volume, agora estão no começo de cada álbum, uma por página.

Além da melhor visualização, elas também são fundamentais para que o leitor identifique instantaneamente em que ponto acaba uma edição e começa a outra. Como Moore não usa elementos narrativos evidentes de fim de um capítulo e no começo do próximo, essa percepção era prejudicada nos dois primeiros volumes desta coleção.

Classificação:

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