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J. KENDALL – AS AVENTURAS DE UMA CRIMINÓLOGA # 54

26 agosto 2009


Autores: Giancarlo Berardi e Lorenzo Calza (roteiro) e Claudio Piccoli (desenhos) - HQ originalmente publicada em Julia # 54.

Preço: R$ 8,90

Número de páginas: 128

Data de lançamento: Maio de 2009

Sinopse: A cidade escura - Rajid S.A.D., um rapper de sucesso, é morto durante uma apresentação. O que parecia ser um crime de ódio racial esconde muitas outras coisas.

E cabe a Julia desvendar mais esse crime.

Positivo/Negativo: Novamente, J. Kendall - As aventuras de uma criminóloga traz uma excelente história.

Giancarlo Berardi e Lorenzo Calza investem numa trama sobre o preconceito. Ou pelo menos parece ser isso, no primeiro momento. Mas há algo por trás do assassinato do rapper Rajid S.A.D. e, por isso, Julia é chamada.

Com o desenrolar da trama, o que se apresenta é muito mais um panorama social calcado em intolerância, desconhecimento e preconceito de todos os lados, o que é uma boa fórmula para o conflito étnico.

Mas há um crime como estopim dessa preocupação. E o assassino é revelado logo nas primeiras páginas, mas não se conhece o motivo. E é sobre esse porquê que Berardi e Calza constroem a história.

Júlia é jogada em um ambiente que não conhece (os guetos negros), no caso de um cantor de um estilo que não conhece (o rap) e se envolve com um movimento que também lhe é estranho, o hip hop.

O desconforto da personagem é evidente em suas expressões e no modo como fala. Basta comparar com suas atitudes em ambientes familiares a ela.

Para circular por esse mundo e entender seus códigos, é preciso um guia. E quem faz esse papel é Luther, um dos filhos de Emily, a governanta de Julia.

O que Luther explica e ensina a Julia, é explicado e ensinado ao leitor também.

Muita informação e várias citações são fornecidas, deixando um pouco a sensação de didatismo, embora a trama não seja conduzida nesse sentido. O enredo traz interessantes reviravoltas e tem um final surpreendente - como é convencional na revista.

São muito importantes na narrativa dessa história os fundos de quadro, as ações dos personagens secundários e os acontecimentos fora da cena principal.

Quando Berardi e Calza puxam a atenção do leitor para a maior quantidade de informações, algo acontece discretamente na cena ou há uma sutil opinião sobre as questões sociais (como nos últimos três quadros da página 82). Tudo com muita naturalidade.

Como o roteiro tem uma pegada realista, o desenhista Claudio Piccoli se mostra bastante adequado, por ser muito bom nas expressões faciais, como é típico na arte de J. Kendall.

Essa abordagem realista ajuda também a incluir o leitor na trama, como na tocante cena do enterro de Jahid S.A.D.

Quanto ao trabalho editorial, poucos erros. Apenas um senão: quando os personagens falam sobre as gravadoras independentes, o termo mais apropriado seria "selo" em lugar de "sigla". Mas nada que comprometa a revista, que traz ainda uma interessante matéria na segunda capa sobre a publicação de Julia fora da Sergio Bonelli Editore.

 

Classificação:

4,0

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