Confins do Universo 118 - Soltando os bichos!
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La puerta al cielo

Editora Norma Editorial€ 23,00112 páginasLançado em outubro de 2019

Autores: Pierre Makyo (roteiro) e Eugenio Sicomoro (arte).

 

Originalmente em La Porte au Ciel.

 

Edição especial.

8 setembro 2020

Sinopse

Fugindo da violência doméstica e da solidão, três amigas se escondem na casa de campo abandonada de uma delas.

Nessa pequena e linda área rural, há um pai amargurado, uma tia que abusa do sobrinho deficiente, uma lenda sobre comunicação com os mortos e um mistério do passado.

E tudo virá à tona ao mesmo tempo.

Positivo/Negativo

No 85º episódio do podcast Confins do Universo, Marcelo Bouhid, um dos participante do programa, indicou esta obra, publicada na Espanha numa edição caprichada, em capa dura, pela Norma. E ele alertou que, na trama, o ritmo em que as coisas acontecem é tão, mas tão distinto do que se vê em obras norte-americanas ou japonesas, que um leitor mais afoito poderia achar “lento”.

Isso, definitivamente, pode acontecer, mas seria um ledo engano. Os autores moldam o tempo como querem durante a HQ. Tanto que há subplots que são resolvidos em três ou quatro quadros. E não fica ruim. Simplesmente foi uma escolha narrativa que opta por focar na resolução, não na execução.

O roteiro do francês Pierre Makyo vai envolvendo o leitor ao mostrar, aos poucos, os elementos que formam a trama: perigo, mistério, misticismo, amizade, violência. E é difícil não se importar com as personagens.

Tanto que a única coisa irrita um pouco é a burrice das jovens, em determinadas passagens. Esse negócio de tratar adolescentes como tapadas ou inconsequentes ultrapassa o bom senso algumas vezes.

Há um momento, por exemplo, no qual, depois de verem seus rostos estampados num cartaz de Procuradas, no vilarejo onde estão escondidas, uma delas resolve sair pra caminhar sozinha. E as outras duas acham que tudo bem! Sério?

A arte do italiano Eugenio Sicomoro é estupenda! Composição de páginas, traços, cores, tudo chama a atenção. Vale destacar que seu desenho também dita o ritmo da leitura, ora com uma levada mais rápida, ora contemplativa.

O único senão é, por vezes, a finura das pernas de uma das personagens. Durante a leitura, este resenhista chegou a pensar que fossem próteses. Só que, depois, ela aparece com canelas mais largas. Ou seja, foi um descuido, mesmo.

Mas que não tira o brilho da obra. Especialmente porque se tem algo que nem todos autores conseguem é fazer uma última página que realmente arremate a história. E a de  La puerta al cielo é simplesmente magnífica. Daquelas que fazem o leitor fechar o álbum e ficar olhando pra ele com admiração e gratidão pelo excelente entretenimento.

Classificação:

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