Confins do Universo 112 - É guerra! Quadrinhos no front!
OUÇA
Reviews

Lendas do Universo DC – Liga da Justiça # 1

22 maio 2020

Lendas do Universo DC – Liga da Justiça # 1Editora: Panini Comics – Edição especial

Autores: J. M. DeMatteis (roteiro), Keith Giffen (argumento e esboços), Kevin Maguire (desenhos), Terry Austin e Al Gordon (arte-final) – Histórias originalmente publicadas em Justice League # 1 a # 6Justice League # 7 (tradução de Felipe B. Borges).

Preço: R$ 29,90

Número de páginas: 196

Data de lançamento: Outubro de 2019

Sinopse

Após a maxissérie Crise nas Infinitas Terras, o multiverso da DC Comics deixou de existir. Havia apenas uma Terra e todos os super-heróis e equipes da editora foram reintroduzidos. A Liga reapareceu na minissérie Lendas.

Um grupo de heróis resolveu dar início a uma nova Liga da Justiça, após sua predecessora, a Liga de Detroit, ser dissolvida. Composto por Batman, Caçador de Marte, Senhor Destino, Capitão Marvel, Besouro Azul, Canário Negro, Senhor Milagre (com seu fiel parceiro Oberon) e Guy Gardner, que partem para deter um grupo de terroristas, sem saber que está sendo monitorada pelo ambicioso empresário Maxwell Lord.

A nova Liga enfrenta diversas ameaças, sempre com Lord mexendo os pauzinhos nos bastidores: encara heróis de outra dimensão que querem acabar com a ameaça nuclear na Terra; recebe um novo membro, o Gladiador Dourado; precisa deter a ameaça sobrenatural do Homem Cinza; e, por fim, tem seu nome mudado para Liga da Justiça Internacional, quando passa a atuar de forma global, com embaixadas em todo o mundo.

Positivo/Negativo

As novas origens apresentadas para o universo DC pós Crise seguiam, em sua maioria, a tendência criada em obras como Batman – O Cavaleiro das Trevas e Watchmen, histórias mais sombrias, realistas e violentas. Por isso, foi grande a surpresa quando o primeiro número de Justice League chegou às bancas em 1987, com uma forte veia cômica. Os diálogos eram afiados e divertidos.

Outra surpresa foi a formação inicial do time. O único personagem de primeiro escalão era o Batman. Todos os outros eram heróis com quem o público mal estava familiarizado, ou nem sequer conhecia.

Mesmo sendo uma aposta arriscada, o título foi um grande sucesso. A fórmula pegou, o público gostou daquela Liga chamada por alguns de “engraçadinha”. E se deve, claro, às tramas mirabolantes de Keith Giffen, os diálogos inteligentes e divertidos de J. M. DeMatteis e às expressões faciais realistas desenhadas pelo na época novato Kevin Maguire.

O diferencial dessa Liga era trabalhar o relacionamento interpessoal daqueles supercaras de um jeito até então nunca visto em HQs do gênero. Assim como em qualquer escritório, trabalhar em equipe com pessoas de diferentes gênios e personalidades sempre rende situações de conflito, muitas vezes bem divertidas pra quem vê de fora.

Incorporar esses elementos a um grupo de super-heróis trouxe momentos memoráveis à série: Guy Gardner sendo derrotado com apenas um soco do Batman; o Besouro Azul rachando de rir do Gladiador Dourado após o fora que ele leva de uma representante da Liga em Paris; o Capitão Marvel sendo chamado de “Fraldinha” por ser um garoto no corpo de um homem e outros.

A Liga da Justiça cômica (que logo se tornaria Internacional e depois se dividiria em América e Europa) foi publicada pela primeira vez no Brasil a partir de 1989, pela Abril. A Panini trouxe de volta esse material, que vinha sendo pedido fazia um bom tempo, em quatro volumes, a princípio.

Importante lembrar que essas primeiras histórias já foram republicadas duas outras vezes por aqui: pela Mythos, em 2003, e pela Eaglemoss, em 2018.

A Panini vem trazendo ótimas surpresas em Lendas do Universo DC. No entanto, a editora não se manifestou a respeito dos rumores de que a linha toda será descontinuada, o que seria lamentável. Afinal, há muita coisa boa da série para ser republicada.

Apesar do sucesso dessa Liga em seus primeiros anos, a fórmula se desgastou com o tempo. Giffen e DeMatteis colocaram a graça à frente das tramas e as histórias ficaram cansativas, até que os títulos foram reformulados em 1992, nos Estados Unidos (1994, no Brasil). A equipe criativa mudou e a comédia foi posta de lado.

Algumas decisões relacionadas à tradução e adaptação são questionáveis na edição da Panini. Uma delas é a Gangue de Espadas, nome pelo qual a equipe de vilões era conhecida no Brasil, ter virado como Gangue Royal Flush, literal como o original Royal Flush Gang.

Mas a escolha mais infeliz foi Guy Gardner, convertido em um rapaz sensível após sofrer uma pancada na cabeça, cantar Escrito nas Estrelas, música famosa na voz da cantora brasileira Tetê Espíndola. No original, são trechos de duas canções: You Light Up My Life, de Debby Boone; e Close To You, dos Carpenters. Nos tempos mais pueris do formatinho, talvez isso fizesse algum sentido, mas hoje, com o mundo globalizado, só é tolo. Isso se resolveria com uma nota de rodapé. Afinal, os leitores sabem que o personagem vive nos EUA, e nunca cantaria Tetê Espíndola.

Os quatro primeiros volumes de Lendas do Universo DC – Liga da Justiça cobrem um material bem vasto, que na Abril demorou quase dois anos pra sair. É uma série querida pelos fãs, por ser divertida e diferente de outros materiais publicados nessa coleção. Vale ser conhecido por novos leitores e revisitado por quem já a conhecia.

Classificação:

.

Compre esta edição aqui!

Leia também
Já são mais de 470 leitores e ouvintes que apoiam o Universo HQ! Entre neste time!
APOIAR AGORA