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OS BRASILEIROS

25 junho 2009


Autor: André Toral (roteiro e arte).

Preço: R$ 38,00

Número de páginas: 88

Data de lançamento: Abril de 2009

Sinopse: Sete histórias de diversas épocas, com o índio brasileiro representando papel central em todas elas.

Positivo/Negativo: A variedade salta aos olhos do leitor que manuseia Os Brasileiros.

São sete histórias diferentes entre si, que se conectam temática, mas não narrativamente. Há variedade de técnicas de desenho, que representam diferentes lugares e períodos históricos.

A edição conta com alguns esboços e estudos de Toral para a obra, assim como um ótimo posfácio, no qual o próprio autor afirma que sua formação de historiador e antropólogo não deve conduzir a uma leitura realista. O que se apresenta em Os Brasileiros é ficção.

E o leitor constata algo mais: ficção de alta qualidade. Um tema de preocupação nacional como "qual seria o lugar do índio na sociedade brasileira atual" parece exigir toques realistas e documentais.

Mas um dos maiores méritos da obra advém de Toral não cair nessa tentação do óbvio. Ao não se exigir uma rígida documentação factual ou alto grau de realismo, ele pode usar elementos fantásticos, como rituais xamânicos e feitiços, como justificativa para algumas ações dos personagens. Tudo muito bem contextualizado com o tema: os índios.

Os brasileiros não se propõe a ser uma obra panfletária da condição do índio e da falta de atitude das instituições, embora às vezes soe um pouco desse modo. Essa é outra das tentações que André Toral soube driblar.

A sequência das tramas foge ao convencional, com o clímax antes do esperado e resoluções surpreendentes. Mas o ponto forte da obra é o modo como Toral trabalha com a voz narrativa nos recordatórios.

Na narrativa que abre o álbum, O brasileiro, e na seguinte, A mulher do morto, Toral atribui a voz do recordatório ao personagem principal da trama, que a narra como passado. Essa simples posição temporal tem consequência direta no modo como o leitor cria expectativas quanto ao andamento da história.

Já em Negócios do sertão - publicada em 1992 como álbum e vencedora do HQ Mix de roteiro -, o narrador não é um personagem e aparece somente pelo texto dos recordatórios. Esse texto faz brincadeiras com os personagens, dá palpites para o leitor e não repete aquilo que pode ser visto ilustrado no quadrinho.

A edição em formato álbum (28 x 21 cm) é bastante adequada e emoldura muito bem um dos bons lançamentos de quadrinhos brasileiros deste ano. O único senão é que, em vários recordatórios e balões, ficaram grandes áreas em branco - possivelmente, Toral as dimensionou antes de escrever o texto final, algo que já fez no ótimo Adeus, chamigo brasileiro. Com alguns retoques de Photoshop era possível corrigir isso. Afinal, visualmente, ficou esquisito.

 

Classificação:

4,0

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