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We3 – Instinto de sobrevivência – Edição definitiva

1 dezembro 2012

WE3 - INSTINTO DE SOBREVIVÊNCIA - EDIÇÃO DEFINITIVA

Editora: Panini Comics - Edição especial

Autores: Grant Morrison (roteiro), Frank Quitely (arte) e Jamie Grant (cores e arte-final digital) - Originalmente em We3 - Deluxe Edition.

Preço: R$ 45,00

Número de páginas: 144

Data de lançamento: Setembro de 2012

Sinopse

Três animais de estimação são sequestrados pelo exército norte-americano e transformados em máquinas de matar. Entretanto, conseguem escapar de seus captores e pretendem voltar pra casa.

O exército, porém, planeja exterminá-los e parte em uma caçada brutal e inescrupulosa.

Positivo/Negativo

Na capa deste álbum há uma citação da Publishers Weekly: "A aventura mais acessível de Morrison em todos os tempos".

E é mesmo.

Sem referências à física quântica ou ao tarô, sem interligações com cronologias intrincadas, sem grandes pretensões.

São três bichinhos que são transformados em uma espécie de "robocop" (ou no caso "robopet") superpoderoso, com grande poder de fogo.

Quando o exército decide encerrar o programa que os criou e exterminar as cobaias, eles conseguem escapar e partem em busca de casa. Em seu encalço, tropas armadas e outros animais biônicos.

No traço detalhado de Frank Quitely, apresenta-se uma frenética história de perseguição carregada de ação e ultraviolência.

Mas é mais do que isso.

Em sua simplicidade, We3 guarda ainda uma força emocional extraordinária. É impossível não se importar com os três bichinhos, com seu sofrimento e sua angústia na busca por um lar. Soa piegas, mas a história não cai no sentimentalismo. Trata-se de uma obra sincera e comovente como poucas.

A "edição definitiva" apresenta uma série de extras em relação à publicação original, que a mesma Panini lançou por aqui em 2006.

A impressão está mais nítida e as cores sofreram modificações de modo a valorizar muito mais a arte de Frank Quitely. Além disso, há um acréscimo de dez páginas extras na história em quadrinhos original que fazem diferença.

Em quatro páginas, o leitor conhece um pouco melhor a doutora Roseanne Berry. Utilizando apenas imagens, Morrison e Quitely mostram que ela perdeu recentemente alguém muito importante em sua vida.

Isso é feito nos pequenos detalhes de um quadrinho: um quarto, uma cama vazia, aparelhos médicos desativados. E em outros painéis a lágrima suspensa no olhar da doutora e o retrato fotográfico.

As páginas da doutora Berry criam um background emocional para a personagem, mas não chegam a fazer diferença crucial na trama.

Mais impactantes são as outras seis páginas. Duas delas desenvolvem mais cenas do confronto entre o coelho Pirata e o monstruoso Armamento Animal 4. Esse acréscimo eleva a carga de emoção do embate e confere mais brilho ao Pirata.

As outras quatro páginas talvez sejam as mais dramáticas dentre as que foram acrescentadas. Elas mostram uma cena no porão, onde o cão Bandit e o gato Tinker livram-se de suas armaduras. É impressionante como Quitely e Morrison dão expressividade e empatia quase humanas aos bichos, mas preservam suas características animais.

Aliás, as imagens são um poderoso recurso utilizado pelos autores na narração de sua trama. São pequenos truques, como os personagens do exército que são descaracterizados de sua humanidade apenas pelo enquadramento feito por Quitely. O desenhista não mostra a face dos burocratas e soldados. Do pescoço para cima, as cabeças ficam fora dos painéis ou são reveladas apenas closes das bocas em sorrisos que parecem rosnados bestiais em contraste com a expressão inocente dos animais.

Há ainda 28 páginas extras com esboços e comentários dos autores, que apresentam, a concepção dos personagens, a elaboração dos espetaculares layouts de página que buscavam, nas palavras de Morrison, emular "uma percepção não humana do tempo e do espaço".

Acima de tudo,We3 é uma história empolgante e comovente. A simplicidade e o drama do roteiro somam-se às peripécias do desenho e do layout, culminando numa diversão instigante que torna a edição simplesmente imperdível.

É assim que os bons quadrinhos devem ser.

 

Classificação:

4,0

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