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Morreu o quadrinhista Paulo Paiva

10 maio 2021

Notícia triste: Paulo Paiva faleceu ontem, dia 9 de maio, às 23h40min, vítima de uma pneumonia e de sequelas de Acidente Vascular Cerebral. O corpo foi cremado em Itatiba, interior de São Paulo.

A trajetória de PP, como os amigos o chamavam, começou em 1971, quando várias editoras paulistanas receberam e publicaram cartuns criados por aquele menino de 13 anos, Paulo Paiva Lima.

Em poucos meses, ele foi admitido na equipe de roteiristas do Estúdio Mauricio de Sousa. Alguns anos depois, passou a escrever e publicar uma série de tiras diárias chamada Cia. Ltda. em jornais como Diário do Povo (Campinas/SP) e Folha da Tarde, e participou do famoso tabloide Gibi Semanal, fazendo os roteiros anonimamente da série Chico Peste, criada por Munhoz (Paulo César Munhoz).

Também sem receber créditos, escreveu centenas de histórias curtas de Zé Carioca e outras séries para o estúdio Disney da Editora Abril. Foram muitos roteiros com a Anacozeca – Associação Nacional dos Cobradores do Zé Carioca, e o Pena das Selvas, para a série do Peninha.

Em meados da década de 1970, Paiva criou um personagem mau caráter, o Maloca, um jogador de futebol de várzea, para a Editora Saber. Mas o gibi, então colorido, não foi lançado. Depois, reformulado e rebatizado como Maciota, foi um grande sucesso na revista Placar.

Maciota foi desenhado pelo próprio Paiva, com seu peculiar traço tosco e extremamente expressivo, com forte influência do humor gráfico dos mestres franceses – Sempé era o seu grande ídolo.

Com muitos dos pagamentos que recebeu da Placar, PP fundou a notória Editora Maciota, que lançava diversos gibis também com o selo Press Editorial.

Na década de 1990, o autor lançou, em sociedade com a Nova Sampa, os livros de piadas do comediante Ary Toledo, que também foi seu sócio, criando também piadas para os livros e para PP. Foi um fenômeno de vendas. Com muitas tiragens.

E Paiva ainda faria muitas edições de uma revistinha mensal colorida com piadas de Ary Toledo.

Um Acidente Vascular Cerebral, em fevereiro de 2007, tirou Paiva do mundo editorial como profissional de criação. Mas, a partir de 2017, antologias de seus trabalhos foram lançadas pela Editora Criativo. Veja aqui um depoimento de Mauricio de Sousa sobre o autor, na época.

Paulo Paiva, P. Paiva, PP, Pepê, Paiva ou Paivão, como era chamado por muitos, sempre foi uma pessoa de ótimo humor. Muito querido por todos, auxiliou dezenas de artistas em início de carreira e foi um grande incentivador e entusiasta do quadrinho brasileiro.

Paulo Paiva Lima nasceu em Santa Helena/GO, em 4 de agosto de 1957. Sua ausência será muito, extremamente sentida.

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