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O Máskara

Editora Pipoca & Nanquim – Edição especialR$ 84,90376 páginasLançado em abril de 2020

Autores: John Arcudi (roteiro), Doug Mahnke (desenhos, e cores de O Máskara), Chris Chalenor (cores de O retorno do Máskara), Gregory Wright (cores de O Máskara contra-ataca) – Originalmente em The Mask Omnibus (tradução de Jeremias Giacomo).

26 fevereiro 2021

Sinopse

O Máskara gira em torno de uma máscara mística que dá a seus usuários poderes e habilidades extraordinárias, em uma trama que mistura ação e comédia e que serviu de base para o filme de mesmo nome estrelado por Jim Carrey, em 1994.

Positivo/Negativo

Faltam palavras para definir o quão ruim é O Máskara.

A HQ é um misto de humor ácido, ultraviolência e escatologia digno da mente de um adolescente que quer chocar seus colegas de classe. Não se trata de moralismo, já que esses elementos estão presentes em obras excelentes, como Preacher, de Garth Ennis — a questão é que nada funciona e tudo soa tosco.

Há um momento, logo nas páginas iniciais da primeira história, na qual o nerd Stanley Ipkiss, na forma d’O Máskara, se vinga de uma professora que foi um desafeto na infância.

A cena mostra um ato de violência contra uma idosa em posição de relativa autoridade. E só. Não há crítica, não há subtexto. Soa como a expressão de rebeldia adolescente esvaziada de qualquer significado concreto – é como aquele jovem que descobriu os discos de Pink Floyd e acha que a música Another brick in the wall – pt. 2 fala sobre professores chatos e não sobre um contexto maior de opressão que acaba também se manifestando no ambiente escolar.

Fica a impressão de que Arcudi tem uma série de cenas desconexas que tenta costurar de alguma forma, criando uma narrativa fraca e pouco coesa. Há alguns (poucos) momentos bons nas HQs, mas esses são ofuscados pela carreata de cenas na mesma verve da citada acima.

Enquanto o roteiro é um desastre sem fim, é muito interessante ver a evolução da arte de Doug Mahnke, que chega na primeira história com um traço relativamente inseguro e avança até apresentar um desenho firme, que não só cumpre seu propósito narrativo como também está completamente alinhado com os muitos exageros da cultura pop como um todo na década de 1980.

A edição da Pipoca & Nanquim é, mais uma vez, primorosa, em capa dura e papel de alta gramatura. No texto, o único ponto negativo é a falta de marcação em negrito em termos mais coloquiais – na primeira história, um dos personagens tem origem no interior dos EUA e usa “achá” em vez de “achar”. A palavra não está destacada e a ausência pode causar uma confusão momentânea em leitores menos atentos.

Mesmo sendo uma HQ repleta de momentos toscos, vale aplaudir a decisão da editora em publicar o material, até então inédito no Brasil. Bem ou mal, ainda é uma obra que tem seu significado dentro da cultura pop, e consegue transmitir ao leitor o espírito do tempo da época em que foi publicada.

Sem contar que, no fim das contas, há publico para tudo.

Classificação:

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