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Revista Time dá destaque para Tintim

25 outubro 2011

Time

As edições europeia e asiática da revista Time desta semana - distribuídas em 24 de outubro - deram seu destaque de capa para Tintim, o personagem de Hergé que estrela o novo filme de Steven Spielberg.

Lev Grossman assina o artigo de sete páginas, nitidamente destinado ao público estadunidense que não está familiarizado com Tintim.

O texto está divido entre a introdução do personagem, a explicação sobre o universo criado por Hergé e a jornada de Spielberg para adaptar as HQs para o cinema.

Mas é preciso fazer uma ressalva sobre o box de seis tópicos curtos com "as aventuras mais controversas de Tintim". Embora não contenha nenhum erro, alguns fatos precisam ser contextualizados para o leitor.

O primeiro item da lista é Tintim na África, álbum polêmico produzido entre 1930 e 1931, quando a Bélgica - assim como outros países europeus - ainda era uma potência colonial com forte interesse no continente africano.

O texto exemplifica alguns dos problemas da obra, como a representação caricaturesca dos congoleses, e inclui o fato de que Hergé modificou a história posteriormente sanando vários tópicos criticados.

A verdade é que praticamente todos os álbuns de Hergé produzidos entre 1929 e 1970 - 22 volumes - foram modificados de uma forma ou de outra até chegar ao seu estado atual, e isso não é mencionado no artigo. Muitos dos livros simplesmente tiveram o número de páginas reduzido, de mais de 100 para apenas 64; os volumes produzidos originalmente em preto e branco ganharam cor; A Ilha Negra, por exemplo, criada entre 1937 e 1938, foi redesenhada e atualizada a pedido da editora inglesa que o publicou na década de 1970; e, em outros casos, quadros e diálogos foram alterados para não ofender alguns leitores e atingir um público mais amplo.

No segundo tópico da lista, A Estrela Misteriosa, Grossman menciona o contexto no qual a obra foi publicada e seus problemas, mas se omite de explicar que Hergé também os corrigiu.

A Estrela Misteriosa foi publicado como tiras em preto e branco, entre 1941 e 1942, durante a ocupação nazista da Bélgica na Segunda Guerra Mundial, pelo jornal Le Soir.

Após a libertação, o jornal foi acusado de colaboracionismo e Hergé chegou a ser investigado por ter publicado naquele veículo. No final da guerra, inocentado, o autor foi chamado por Raymond Leblanc, um herói da resistência contra os nazistas, para criar o Jornal de Tintin.

O álbum original - publicado pela primeira vez neste formato em 1942 -, incluía um personagem judeu retratado de forma caricaturesca, e os Estados Unidos era uma das nações competindo para chegar à ilha. Hergé corrigiu esses dois fatos (a bandeira estadunidense foi substituída por outra da nação fictícia de São Rico) numa edição publicada em 1954.

Ou seja, os problemas mencionados no artigo foram corrigidos há 57 anos e, curiosamente, nunca foram lidos pelo público estadunidense. A primeira aventura de Tintim publicada nos Estados Unidos, Tintim na América, só foi lançada naquele país em 1974, quando todos os volumes já estavam em sua forma atual.

A versão de 1942 de A Estrela Misteriosa não foi publicada nos Estados Unidos.

O público estadunidense, assim como o brasileiro, nunca teve acesso direto às chamadas edições fac-símiles, publicadas em francês pela Casterman, que reproduzem as histórias como elas foram lançadas originalmente.

O filme estreará na Europa no próximo dia 26 de outubro. Nos Estados Unidos, em 21 de dezembro. E no Brasil, no dia 20 de janeiro de 2012.

 

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