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Gonçalo Junior lança livro A morte do Grilo na Fest Comix

18 outubro 2012

A morte do Grilo

Depois de anos de pesquisas e quase três dezenas de entrevistas, o jornalista
Gonçalo Junior - autor de A
guerra dos gibis
e Maria
Erótica e o clamor do sexo
, entre outros - lança neste sábado,
às 15 horas, durante a Fest Comix, em São Paulo, o livro
A morte do Grilo - A história da Editora A&C; e do gibi proibido pela
ditadura militar em 1973
(256 páginas, R$ 39,00), pela editora Peixe
Grande
.

A revista Grilo foi publicada entre 1971 e 1973, com 48 números (do # 1 ao # 27, pela Arte & Comunicação, e do # 28 em diante, pela Espaço-Tempo Veículos de Comunicação Ltda. - confira todas as capas clicando aqui), além de cinco edições especiais, e foi proibida pela censura, que lhe negou registro para circulação.

A alegação foi de que o título atentava contra a moral e os bons costumes. Mas Gonçalo mostra que havia principalmente implicações políticas contra seus editores, os mesmos que publicaram o hoje mítico jornal O Bondinho, porta-voz da contracultura em São Paulo na década de 1970.

O jornalista revela que o livro nasceu de uma reportagem que fez para o caderno Leitura de fim de semana, da Gazeta Mercantil, publicada no dia 6 de março de 1998, por ocasião dos 25 anos do fim da Grilo.

Todos os editores e pessoas ligadas diretamente à publicação foram ouvidos - alguns dos quais viriam a falecer pouco tempo depois, como Roberto Freire e Sérgio de Souza.

Nos anos seguintes, já com a ideia de redigir um texto mais completo, Gonçalo conversou com outras pessoas, igualmente relevantes, e passou a escrever e a reescrever essa história por muito tempo, até colocar o ponto final no texto no Natal de 2008.

O resultado, segundo o editor Toninho Mendes, é uma viagem reveladora a um período ainda obscuro da vida cultural brasileira, a década de 1970, durante os anos mais violentos da ditadura militar, com ênfase no movimento da contracultura, que o Brasil importou dos Estados Unidos e da Europa. Numa época em que os hippies, em todo o País, desafiavam a polícia com suas cabeleiras malcuidadas, roupas coloridas e um baseado entre os dedos, a mais brilhante geração de jornalistas de São Paulo deixava a redação da revista Realidade e do Jornal da Tarde para fundar O Bondinho.

Mas seus editores pagaram um preço alto. Grilo teve seus responsáveis e colaboradores vigiados ostensivamente. A própria revista foi fichada pelos órgãos de repressão e, por fim, proibida de circular pela censura em outubro de 1973. O livro de Gonçalo conta a história da publicação e dessa turma movida e motivada pelo idealismo de derrubar uma ditadura e pela amizade que os uniria por toda a vida.

Em A morte do Grilo, o foco é a imprensa alternativa de São Paulo. Enquanto para muitos pesquisadores e historiadores esse tipo de resistência se deu basicamente no Rio de Janeiro, pela importância que ganhou o semanário O Pasquim, a relevância do papel desse tipo de jornalismo na capital paulista está finalmente reconhecida neste livro.

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