
Marjane Satrapi morreu de tristeza, aos 56 anos
Marjane Satrapi, autora iraniana de Persépolis, faleceu de tristeza, no último dia 4 de junho. Em virtude da morte de seu marido, Mattias Ripa, em abril de 2025, com quem ela foi casa por 31 anos. Ela esteve hospitalizada em Munique, na Alemanha por dois meses. O óbito foi divulgado pela agência AFP.
Nascida Marjane Ebrahimi, em Rasht, no Irã, em 22 de novembro de 1969, a autora passou os primeiros anos de sua vida em Rasht, antes de sua família se mudar para a capital, Teerã. Seu bisavô materno foi o xá Naser al-Din Shah Qasar.
Em Teerã, Satrapi aprendeu francês na escola. Após a revolução islâmica, a família temia pela segurança da filha adolescente, que mostrava sinais de rebeldia contra o regime, a despeito das perseguições sofridas por diversos amigos e parentes.
Aos 14 anos, ela foi enviada para Viena, na Áustria, para estudar. Satrapi viveu na casa de amigos, mudando de uma residência para outra, durante os últimos anos do ensino médio. Chegou a viver por três meses na rua até ser hospitalizada com uma bronquite que foi quase fatal.
A autora retornou ao Irã e estudou comunicação visual na Universidade Islâmica Azad, em Teerã.
Aos 21 anos, se casou com Reza, um veterano da guerra Irã-Iraque. O matrimônio durou cinco anos.
Após o divórcio, ela se mudou para Estrasburgo, na França, para estudar na Haute école des arts du Rhin, uma escola de artes. A família a encorajou a não retornar para o Irã.
Seu trabalho com quadrinhos começou em 2000, com uma HQ autobiográfica: Persépolis (Melhor História em Quadrinhos na Feira de Frankfurt de 2004), retratando sua vida no Irã e na Europa entre 1980 e 1990. A obra foi editada originalmente em quatro partes pela L’Association. A quarta e última edição saiu na França em 2003.

Outras duas HQs importantes são Bordados, de 2003; e Frango com ameixas, de 2004, premiado como melhor álbum no Festival de Angoulême daquele ano.
Persépolis e Frango com ameixas foram adaptados para o cinema. O primeiro em uma animação dirigida por Satrapi e Vincent Parronaud, com vozes de Catherine Deneuve, Chiara Mastroianni, Danielle Darrieux e Simon Abkarian. A película estreou no Festival de Cannes em 2007 e ganhou o Prêmio do Júri.
Frango com ameixas foi adaptado para o cinema em 2011, também por Satrapi e Parronaud. Estrelado por Mathieu Amalric, Maria de Medeiros, Edouard Baher, Golshifteh Farahani, Éric Cavaca, Isabella Rossellini e Chiara Mastroianni, ganhou o prêmio de melhor filme no Festival de Beaujolais.
A autora ainda dirigiu a comédia policial La Bande des Jotas, na qual também atuou ao lado de seu marido.
Seus outros créditos como diretora incluem As vozes, de 2014, com Ryan Reynolds e Gemma Arterton; Radioactive, de 2019, com Rosamund Pike no papel de Marie Curie; e Paradis Paris, com Monica Bellucci, Roschdy Zem, Alex Lutz e André Dussollier.
Marjane Satrapi foi uma inspiração para muitos artistas e também uma corajosa ativista que lutou pelos direitos das mulheres e contra o governo islâmico do Irã durante toda sua vida.






