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Joe Kelly rebate críticas sobre a Liga da Justiça

22 agosto 2003

Joe KellyDesde que Joe Kelly assumiu os roteiros de JLA, vem dividindo a opinião dos fãs. Enquanto as vendas continuam altas, muitos leitores reclamam de suas histórias, mas isso não parece incomodá-lo tanto.

No mais recente arco de histórias a ser publicado nos Estados Unidos, o autor decidiu misturar super-heróis e política, com referências claras ao que vem acontecendo no mundo atualmente. O número 83 mostra o presidente Lex Luthor (no papel de Bush) dando início à Operação Liberdade Qurac (país fictício baseado no Iraque), e o Super-Homem decide se erguer contra a guerra.

A história foi muito debatida, mas uma voz ainda não tinha se pronunciado: a do próprio Kelly. O autor falou um pouco mais sobre toda a polêmica.

"Acho que quadrinhos são uma mídia muito mais poderosa do que as pessoas imaginam, e, em certas circunstâncias, é apropriado usar isso para discutir assuntos políticos. Como regra geral, quando faço algo assim, tento manter no contexto apropriado", explica.

JLA #83"A palavra 'América' é literalmente integrante do mito da Liga da Justiça (LJA) e também do Super-Homem (estilo americano). Como escritor, você escolhe ignorar ou abraçar isso. Naturalmente, se a opção for pela segunda, tem muito a ver com o que se acredita ser a 'América'. No caso do Super-Homem, por exemplo, ele crê na América idealizada, aquela que aceita a diversidade e se importa com as pessoas. Isso é possível. Quando as pessoas são tratadas com respeito e as chances lhe são dadas, elas podem vencer", analisa.

"Acredito que a realidade da América é um desafio para essa moralidade", aponta Kelly.

Especificamente em JLA #83, Kelly tocou em pontos polêmicos e, ao mostrar Luthor agindo como Bush, acabou traçando um paralelo entre o presidente americano e um supervilão.

"Deixe-me voltar à criação da história. Eu a escrevi em janeiro ou fevereiro deste ano, justamente quando as coisas estavam acontecendo na União Européia e ainda não tínhamos ida à guerra. Estou dizendo isso apenas para colocar as coisas em seu contexto", continua. "Minha visão quando escrevi a história é a mesma do Super-Homem. Não sabia o que pensar. Sei que Saddam é um dos bandidos, e acho que devia ser derrubado, mas não estava convencido de que a guerra naquele momento era algo correto".

"Eu e Mike Carlin (editor do título) conversamos muito sobre abordar política na revista, e, em última instância, a história era sobre a escolha do Super-Homem. Nós achamos apropriado", afirma.

A história acaba colocando Luthor e Super-Homem frente a frente de novo, já que o Homem de Aço não sabe se realmente acredita nas palavras do presidente. E é essa duplicidade que enche o herói de dúvidas.

Além disso, como 70% da população americana foram a favor da guerra, isso os coloca ao lado de Luthor e contra o Homem de Aço, neste caso. Uma posição que muitos leitores não engoliram, já que Lex é o vilão, e o Super, o "mocinho".

"Luthor é o presidente do Universo DC, e o usamos para o bem ou para o mal. Mas, do meu ponto de vista, acho justo dizer que muitas pessoas por aí, incluído eu mesmo, não confia totalmente no Bush. Assim, ter Lex Luthor na Casa Branca, criativamente, reflete como me sentia quando escrevi a história", revela.

O próximo projeto de Joe Kelly inclui a série em 12 edições Justice League Elite, e os leitores podem esperar mais assuntos políticos.

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