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Castanha do Pará

9 março 2018

Castanha do ParáEditora: independente – Edição especial

Autor: Gidalti Jr. (roteiro e arte).

Preço: 68,00

Número de páginas: 80

Data de lançamento: Janeiro de 2017

Sinopse

Castanha é um menino-urubu que vive suas aventuras pelos cenários do tradicional mercado público Ver-o-peso, em Belém. Mora sob o céu aberto e sobrevive dos furtos e das migalhas de atenção que sobram do mundo ao seu redor.

Positivo/Negativo

Castanha do Pará é a estreia de Gidalti Jr. nos quadrinhos e, também, a primeira ganhadora do prêmio Jabuti na categoria História em quadrinhos, em 2017.

O urubu é um bicho urbano e muito presente no mercado público Ver-o-Peso, em Belém. Tão presente que quase ninguém mais o percebe no cenário.

Castanha é um menino-urubu, também invisível, e com dificuldades no convívio familiar.

Quando Castanha desaparece, uma vizinha chama a polícia para que comecem a procurá-lo. E, ao passar seu relato ao guarda, assume o papel de narradora da história.

Assim, passa a descrever o cotidiano do garoto que vive à margem da sociedade nos anos 1990, mas ainda mantém uma imaginação infantil – sonhando com futebol, monstros e sereias.

A variante linguística escolhida pelo autor é verossímil e perfeitamente reproduzida nos diálogos, a brasilidade é gritante e encontra-se até mesmo nas onomatopeias – como quando escolhe transcrever "pow" como "pôu".

Além da linguagem e dos elementos nacionais, a arte também se destaca. Enquanto o traço é hiper-realista, a colorização em aquarela é fantástica e vigorosa. Há um desconforto mordaz ao vislumbrar todas as crianças representadas com cabeças de animais.

A experiência de leitura torna-se muito mais interessante com esse contraste entre o real e o fantástico.

A edição é fruto de um trabalho cuidadoso: capa dura, formato 22,5 x 30,5 cm, lombada quadrada, miolo impresso em off-set 150 gramas e bela diagramação.

Castanha do Pará tem um roteiro modesto, mas o realismo fantástico atribuído à narrativa torna-o eficiente e sensível. Os cenários de Belém, as cores do mercado público, o zoomorfismo, a arte absurdamente inebriante e a linguagem crua transformam esta HQ em uma obra muito brasileira. Uma história real e familiar, e é exatamente nesse ponto que cativa o leitor.

Classificação

4,0

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