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Homem-Animal – Deus Ex Machina

19 agosto 2016

Homem-Animal – Deus Ex MachinaEditora: Panini Comics – Série em três volumes

Autores: Grant Morrison (roteiro), Chas Truog e Paris Cullins (arte), Doug Hazlewood, Mark McKenna e Steve Montano (arte-final), Tatjana Wood (cores) – Originalmente em Animal Man # 18 a # 26 (tradução de Edu Tanaka e Fabiano Denardin).

Preço: R$ 26,90

Número de páginas: 248

Data de lançamento: Março de 2016

Sinopse

Enquanto descobre o segredo do universo numa reserva indígena do Arizona, nos Estados Unidos, Buddy Baker, o homem com poderes animais, está prestes a descobrir exatamente o quanto são difíceis as consequências da vida e o encontro com o criador.

Com a realidade fluindo ao seu redor, o super-herói precisa descobrir o que está por trás de sua existência extremamente maleável. Mas o custo dessa informação é pior do que ele poderia conceber – e a verdade está além até mesmo da imaginação.

Positivo/Negativo

A fase de Grant Morrison no título que revitalizou o Homem-Animal chega ao fim de uma maneira intrinsecamente conectada com os outros dois volumes. Então, para uma melhor compreensão e apreciação de todas as nuances da saga, é aconselhável ler todos os tomos de uma só vez.

Desde quando aceitou dar prosseguimento ao título, o escritor já sabia como iria acabar. Ele usou Buddy Baker, um personagem que nunca figurou no pelotão de frente da DC Comics, para falar de si, divulgar seus discursos ideológicos em prol dos animais sem querer ser panfletário e subir um degrau a mais na questão de metalinguagem nos quadrinhos do gênero de super-herói.

Tanto que faz o personagem "quebrar a quarta parede" e vislumbrar assustado, numa viagem alucinógena, que nós, os leitores, estamos lendo e usufruindo para o nosso entretenimento a sua "vida", assim como um animal é exposto na jaula de um zoológico.

Morrison vai mais além e vira de cabeça para baixo a vida do Homem-Animal com uma inesperada reviravolta dramática. O resultado disso é mostrar o lado vingativo e primitivo do ser humano. Outro efeito é quando o herói deixa a ética de lado e mente para conseguir uma oportunidade de consertar o que não pode ser consertado, O último inimigo de um dos títulos.

Mas é no capítulo Tempo engarrafado que o leitor enxerga com clareza a convergência com histórias anteriores, como Espelho, espelho meu (publicada no volume 1) e, principalmente, em Assombrações (presente no volume 2). É nesta parte em que o vizinho fala com um distraído Buddy sem resposta.

Tal fato serviu de conversa com Ellen, a sua esposa, no capítulo Assombrações, ocorrendo um erro na tradução da Panini (ela falou que o vizinho "ligou" para ele e Buddy o ignorou).

Outra revelação é a origem de uma cicatriz quando o protagonista tinha 10 anos de idade. No capítulo A natureza da Besta-Fera (volume 1), no momento em que o braço direito do herói regenera, ele se dá conta que a antiga lesão (ocasionada devido a uma queda de bicicleta quando garoto) desapareceu em virtude de ter crescido um novo membro. Quando é mostrado o acidente nesta edição, o único "vacilo" foi do desenhista convidado Paris Cullins, que colocou o corte no braço esquerdo do personagem.

Assim como aconteceu no volume anterior, com a participação da sereia Delfim, aparece mais um dos Heróis Esquecidos da saga Crise nas Infinitas Terras, grupo do qual o próprio Homem-Animal fazia parte: Rip Hunter. Inclusive, o viajante do tempo indaga se eles já tinham se encontrado antes.

Outros personagens que também dão o ar da graça são o Vingador Fantasma, o Homem-Imortal e o ocultista Jason Blood, cuja alma é ligada ao demônio Etrigan. Tanto na capa de Brian Bolland quanto dentro do capítulo chamado Crise, Morrison homenageia Leave it to Binky, uma série adolescente da DC Comics criada nos anos pós-Guerra (rivalizando na época com outros títulos do gênero monopolizados pela Archie).

Utilizando o Pirata Psíquico, o único que se lembra da Crise nas Infinitas Terras, o autor aproveita para materializar todos os personagens que foram "apagados" (como o Sindicato do Crime da América) na minissérie desenvolvida pela dupla Marv Wolfman e George Pérez e que redefiniu o Universo DC, descomplicando os atropelos cronológicos na época por um determinado tempo.

Tudo isso com o uso constante da metalinguagem, que é levada às últimas consequências nos capítulos finais, utilizando conceitos como o Limbo dos Quadrinhos, resgatando mais personagens obscuros da editora norte-americana, e ao ápice em Deus Ex Machina, episódio que batiza o volume.

Sem revelar muito do desfecho, Grant Morrison promove uma autocrítica, aproveita para agradecer e faz observações pertinentes e irônicas, a exemplo de usar a violência para deixar o universo dos super-heróis mais "realista" e "adulto".

Também é mostrado o porquê de ter acontecido uma trágica reviravolta na vida do personagem principal, algo que foi espelhado na realidade do escritor escocês.

Ressaltando também que a expressão latina com origens gregas deus ex machina ("deus fora da máquina") é usada para designar uma solução imediata, pouco provável ou sem explicações para uma obra ficcional. Geralmente usado para facilitar a narrativa, o método encaixa de maneira harmônica devido à própria situação metalingüística, preparando terreno para a próxima fase, escrita por Peter Milligan.

Novamente com toques biográficos, Morrison se despede de maneira lírica e no centro das atenções. Força motriz do título que decaiu após a sua saída, o atualmente polêmico roteirista deixou sua marca criativa no que pode ser considerado um dos seus melhores trabalhos no ramo até agora. Indispensável.

Classificação

5,0

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