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A CONDESSA SANGRENTA

1 dezembro 2011

A CONDESSA SANGRENTA

Editora: Tordesilhas - Edição especial

Autor: Alejandra Pizarnik (roteiro), Santiago Caruso (arte) e Maria Paula Gurgel Ribeiro (tradução).

Preço: R$ 59,50

Número de páginas: 56

Data de lançamento: Abril de 2011

 

Sinopse

Advinda de uma nobre família húngara, a Condessa Elizabete Bathory tortura e mata 650 jovens mulheres entre camponesas, serviçais e donzelas, em nome de um deturpado e enlouquecido desejo de permanecer jovem para sempre ao banhar-se no sangue das vítimas.

Condenada por seus crimes em 1611, ela foi encarcerada em uma solitária, onde faleceu três anos depois.

Positivo/Negativo

Este belo livro ilustrado da Tordesilhas é uma pequena obra-prima. A autora argentina Alejandra Pizarnik atingiu o ápice de seu texto com este livro instigante e perturbador, que dá um mergulho profundo na mente de uma das mais insanas personalidades da história mundial.

Elizabete Bathory, que ficou conhecida como a Condessa Sangrenta, assassinou, presumidamente, 650 moças de forma brutal e cruel, tendo sido condenada por seus crimes somente após mais de três décadas de matanças, quando sua loucura se intensificou ao ponto de ela começar a assassinar, além da plebe, jovens filhas de nobres.

O texto é uma mistura de ensaio com poesia e impressiona em momentos nos quais as formas de tortura utilizadas pela mulher são descritas em detalhes, bem como a forma trivial com que ela tratava tais questões. Ao mesmo tempo, encanta em igual medida, pois a autora não cai na armadilha de julgar e condenar as ações da Condessa. Pelo contrário, trabalha as palavras como se fosse um narrador onipresente, que a tudo vê, mas não interfere, limitando-se à arte do relato.

Quem espera uma biografia precisa e acurada de Bathory, com precisão de datas e eventos, se surpreenderá logo no primeiro capítulo. O texto é vivo, poderoso; as palavras parecem saltar da página, mas ainda que referências históricas estejam presentes aqui e ali, como o casamento da Condessa e as menções às suas feiticeiras, o objetivo da prosa é outro.

Na obra, a estética importa tanto quanto os fatos, a poesia está presente em todos os momentos, a escolha de nenhum termo é aleatória, mas sim objeto estudado e pensado pela autora, que infelizmente teve a carreira abreviada por sua morte, aos 36 anos.

Como montar um quebra-cabeça de alguém que comete uma atrocidade tamanha como Bathory, sem categorizá-la displicentemente como "monstro" e perder, assim, toda a profundidade que sua persona fascinante oferece? Pizarnik tem a resposta.

E ela não está sozinha: entrecortando as páginas de texto, estão as ilustrações sensacionais de Santiago Caruso, que promove uma união perfeita entre narrativa e arte. Nesse sentido, A Condessa Sangrenta lembra bastante o aclamado Os Caçadores de Sonhos, de Neil Gaiman e Yoshitaka Amano, uma consagrada história de Sandman.

A editora caprichou: impressão em papel de qualidade, capa dura, totalmente em cores e com uma luva externa recobrindo a capa. Destaque para o ótimo trabalho da tradutora Maria Paula Gurgel Ribeiro.

Uma curiosidade é que Bathory, juntamente com Vlad Tepes, foi uma das personalidades que inspirou Bram Stocker a escrever sua obra máxima, Drácula. Somente por isso, já vale conferir.

Classificação:

4,0

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