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LJA / VINGADORES - EDIÇÃO DEFINITIVA

1 dezembro 2007


Título: LJA / VINGADORES - EDIÇÃO DEFINITIVA (Panini
Comics
) - Edição especial

Autor: Kurt Busiek (roteiro) e George Pérez (desenhos).

Preço: R$ 39,00 (edição com capa cartonada) ou R$ 69,00 (capa dura)

Número de páginas: 288

Data de lançamento: Outubro de 2006

Sinopse: De uma hora para outra, a Liga da Justiça se vê enfrentando um poderoso e desconhecido ser: Terminus, do Universo Marvel. Ao mesmo tempo, em outra realidade, os Vingadores encaram uma criatura que jamais viram: Starro, vilão clássico da DC.

Logo se descobre que algo de estranho está acontecendo, como se suas realidades distintas estivessem se mesclando. As "visitas" de seres de um universo ao outro passam a ocorrer mais e mais.

Então, a Liga é procurada pelo Grão-Mestre e os Vingadores, por Metron, para que as equipes reúnam 12 objetos místicos (seis de cada realidade). O lado derrotado verá seu universo ser destruído.

Tem início, então, um duelo entre as duas maiores equipes de todos os tempos. No entanto, os super-heróis não sabem, mas estão sendo manipulados com fins bastante obscuros. Sorte que nem todos engoliram a história de Metron e do Grão-Mestre...

LJA / VINGADORES - EDIÇÃO DEFINITIVAPositivo/Negativo:
Desde a primeira vez em que este crossover foi anunciado, em 1983,
fãs de todo o planeta aguardavam por este encontro. E valeu a pena.

Busiek se baseou numa profunda pesquisa dos dois universos e permeou as páginas com centenas de homenagens aos super-heróis da DC e da Marvel. A trama é genial? Nem de longe, mas é uma história bem amarrada.

Para os fãs mais novos, uma contenda entre heróis das duas equipes pode soar tolo, pueril até. Mas Busiek usou um recurso que já fora utilizado antes - o primeiro crossover gigante da "Casa das Idéias", em 1988, chamava-se Torneio de Campeões (saiu no Brasil na revista Heróis da TV, nas edições # 108 a # 110) e tinha justamente o Grão-Mestre como "organizador".

E é aí que entra o grande porém desta minissérie. A história foi toda pensada para fãs veteranos, gente com um conhecimento prévio, no mínimo, razoável dos dois universos. São tantas as citações a fatos passados que um leitor mais novo, que não viu essas histórias pregressas, fica "boiando" e, evidente, não curte tanto.

O trabalho de Busiek foi minucioso e tem grandes passagens, como as equipes interagindo, como se conhecessem há anos e, claro, os combates entre os superseres.

No entanto, o ponto alto é próximo ao confronto final com Krona - o vilão por trás da trama (ele quer descobrir o segredo da criação) que pode destruir os dois universos -, quando vários super-heróis vêem o futuro e, por tabela, coisas para eles inacreditáveis. O Jaqueta Amarela batendo na Vespa; Batman encarando a morte de Jason Todd e a cena em que tem a coluna quebrada por Bane, o Capitão América usando uma armadura, o Superman e Flash (Barry Allen) morrendo, o Homem de Ferro entregue ao álcool, Hal Jordan se tornando um vilão e por aí afora. E, mesmo assim, todos optam por seguir em frente e derrotar o inimigo.

Ou seja, mostram a síntese das duas equipes: o heroísmo a qualquer preço, algo que acabou sendo jogado por terra pouco tempo depois em sagas como A Queda dos Vingadores, Crise de Identidade, Crise Infinita e Guerra Civil, que desmantelaram esses modelos "perfeitos" de combatentes do crime.

Na arte, Pérez faz o de sempre: arrebenta. Sua capacidade de colocar dezenas, centenas de personagens numa página dupla é incrível; e sua narrativa dá à HQ a agilidade que a trama pede.

Esta edição compilada, além de trazer as 21 páginas inacabadas do primeiro crossover, tem um guia dos personagens, um histórico dos crossovers entre personagens das editoras, textos de Kurt Busiek e George Pérez sobre a confecção da obra, referências e uma das coisas mais legais: dois artigos, uma na Marvel Age (sem assinatura) e outro do editor Dick Giordano, em revistas da DC, escritos na década de 1980, sobre as razões para o encontro não ter ocorrido. Cada um com sua versão, atacando o outro sem delongas.

Como a tiragem deste encadernado certamente não é gigantesca, a editora poderia estudar a possibilidade de usar esses textos na revista Wizmania numa matéria sobre as equipes. Assim, mais leitores tomariam conhecimento desses fatos.

O trabalho editorial da Panini nos extras é bom. Há pequenas falhas, como o sobrenome de Hank Pym, que aparece grafado de maneiras diversas; Tufão, o velocista do Esquadrão Supremo, é chamado de Ciclone no compendio (página 279) e blocos de texto desalinhados. Além disso, todas as menções nas referências remetem às revistas americanas - ficaria melhor se houvesse também uma indicação às versões brasileiras, seria um serviço bem mais interessante ao leitor. O site Fanboy, inclusive, listou várias delas.

A Panini seguiu nos encadernados o padrão adotado na minissérie: a versão de capa cartonada traz LJA primeiro no título; a de capa dura começa com Vingadores. Nas edições soltas, essa variação acontecia a cada número. Tudo para que nenhuma editora tivesse mais destaque.

LJA / Vingadores pode não ser memorável, mas é uma história bem construída e um dos melhores crossovers entre Marvel e DC - o que não é tão difícil, pois a maioria é tenebrosa. Além disso, só pelo evento que foi reunir as duas equipes, esta edição já merece lugar na estante de qualquer fã de quadrinhos de super-heróis.

Classificação:

4,0

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