MARTIN MYSTÈRE # 25
Autores: Pier Francesco Prosperi (roteiro) e Gaspare e Gaetano Cassaro (desenhos).
Preço: R$ 5,90
Número de páginas: 96
Data de lançamento: Agosto de 2004
Sinopse: Na Terra dos Dogons - Um entomologista amigo de Martin Mystère é encontrado em Timbuctu, no continente africano, sofrendo de terríveis queimaduras por radioatividade.
Tentando descobrir o que aconteceu com o amigo, o Detetive do Impossível visita as regiões habitadas pelos Dogons, um povo que desde a antigüidade tem conhecimentos espantosos a respeito do sistema estelar de Sirius, muito antes dos astrônomos; e acaba envolvido numa trama perigosa envolvendo um misterioso mutante que estabeleceu domínio político na área.
Positivo/Negativo: Depois de um longo arco de histórias (edições
20
a 24)
estão de volta as habituais aventuras fechadas e surpreendentes do bom
e velho tio Martin, que felizmente continua firme e forte nas bancas brasileiras.
O escritor deste episódio, Pier Francesco Prosperi, tem um estilo bastante
diferente do autor oficial da série, Alfredo Castelli, e entre suas histórias
publicadas no Brasil há momentos decepcionantes, como a abominável Retorno
à Lilliput (MM
# 11), sem dúvida, a pior aventura de Martin publicada em português.
Felizmente esse não parece ser o caso da presente aventura: uma trama interessante e chamativa, cuja temática a la Arquivo X desperta uma intensa curiosidade pelo seu desfecho no próximo número.
Aliás, é uma pena que a Mythos não tenha optado por publicar a
aventura completa em uma única edição, aumentando a estrutura da revista,
como fez em várias ocasiões anteriores desde O Tesouro das Sete Cidades
(MM
# 14). Afinal, Na Terra dos Dogons tem 130 páginas, e restaram
pouco mais de 30 para o próximo número, que será complementado como o
início de uma nova história.
Não é uma falta muito grave, na verdade, mas é sempre bom poder ler tramas completas numa única e bem cuidada edição.
De qualquer forma, esses primeiros três quartos de história são suficientemente envolventes. A trama é interessante e promete soluções, no mínimo, curiosas, especialmente no que se refere à verdadeira origem do estranho "mutante", os conhecimentos cósmicos do antigo povo dos Dagon e a existência de laboratórios de alta tecnologia nas profundezas de cavernas remotas da África. Elementos extremamente mysterianos, sem dúvida.
Os desenhos de Gaspare e Gaetano Cassaro mostram-se eficientes, apesar da dupla não ter um estilo moderno e atraente como, por exemplo, Casertano ou Villa. Seu trabalho lembra as velhas revistas de aventuras em quadrinhos dos anos 50, o que dá à HQ um ar nostálgico.
Mas o forte das publicações da Bonelli Comics nunca foi técnicas arrojadas de estilo e desenho, tipo Marvel, DC e Image, mas sim boas histórias narradas à moda antiga, em que uma única aventura de Martin Mystère, Dylan Dog ou Mágico Vento equivale a uma saga de um ano do Batman ou do Homem Aranha. Um desafio à capacidade de qualquer autor, que tem pouquíssima margem para embromações sem dar na vista.
Por esses e outros motivos, continua a torcida dos fãs para que as revistas Bonelli permaneçam circulando no país. Uma opção inteligente em meio ao excessivo "mais do mesmo" que infesta as gibiterias, ainda mais agora que a Brainstore interrompeu a publicação de seus títulos Vertigo, reduzindo drasticamente o número de quadrinhos de qualidade à disposição de leitores mais exigentes.
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