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Three Shadows

25 setembro 2009

Three ShadowsEditora: First Second - Edição especial

Autores: Cyril Pedrosa (texto e arte) e Edward Gauvin (tradução para o inglês). Publicado originalmente no álbum francês Trois Ombres.

Preço: US$ 15,95

Número de páginas: 272

Data de lançamento: Abril de 2008

Sinopse

O menino Joachim é assombrado por três sombras. No começo, seus pais fingem que está tudo bem, que não tem nada acontecendo.

Mas as sombras continuam lá. E então os pais são obrigados a agir para proteger o garoto.

Joachim e seu pai partem mundo afora, iniciando uma jornada cheia de sacrifícios em busca da sobrevivência.

Positivo/Negativo

Um casal de amigos muito próximo do francês Cyril Pedrosa perdeu o filho ainda bem jovem. Acompanhar a agonia dos dois deu subsídio para a realização de Three Shadows (Três sombras), um belíssimo réquiem em quadrinhos.

Vencedor de vários prêmios, inclusive no respeitado Festival de Angoulême, trata-se de um álbum de fantasia. E se filia a escritores como J.R.R. Tolkien, Jorge Luis Borges e Gabriel García Márquez, como a própria orelha da edição sugere. Mas também a HQs, como os momentos mais inspirados de Bone, de Jeff Smith.

O lugar e o tempo em que a história se passa, como em Bone, são desconhecidos. É um cenário rural, bruto, com grandes pinheiros, cidades feitas de casas baixas, grandes barcos - poderia ser o passado europeu ou uma terra imaginária; isso não fica claro.

Por isso, o leitor já entra na história tateando pra tentar ver o que é real e o que é fantasia. Nem mesmo as três sombras se mostram concretas. São pessoas, espíritos, feitiços, delírios? De cara, não dá pra saber.

O que Pedrosa está construindo é a sensação de estranheza, comum na literatura, mas menos usual nos quadrinhos - arte mais acostumada com o fantástico. Para soar esquisito, o autor puxa o tapete do leitor, deixa-o sem chão, obriga-o a seguir em frente com poucas referências, sem ter muito lugar para se apoiar.

Egresso dos estúdios Disney, nos quais trabalhou em longas como Hércules e O corcunda de Notre Dame, Pedrosa usa como linha mestra uma arte bastante cartunesca em preto e branco. Em outras palavras: parece um desenho animado.

Mas, de novo, ele surpreende o leitor: de repente, a arte iluminada é tomada por sombras, os traços simples ficam marcados por grafites e pincéis pesados e agressivos, o nanquim fica selvagem.

É assim, página após página, que Pedrosa constrói sua realidade fantástica. Quando o leitor percebe, já está dentro, seguindo a jornada de Joachim e seu pai por um mundo estranho, mas que, aos poucos, revela uma HQ emocionante.

Classificação

4,5

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