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UM SÁBADO QUALQUER...

1 dezembro 2011

UM SÁBADO QUALQUER...

Editora: Devir - Edição especial

Autor: Carlos Ruas (roteiro e arte).

Preço: R$ 35,00

Número de páginas: 128

Data de lançamento: Setembro de 2011

 

Sinopse

Deus cria o universo, o planeta Terra, Adão, Eva e os demais humanos e vive ao lado deles uma série de aventuras muito engraçadas.

Positivo/Negativo

A série de tiras humorísticas Um Sábado Qualquer começou na Internet. Em apenas dois anos, o blog do cartunista carioca Carlos Ruas tornou-se o mais acessado do gênero, com uma média de 50 mil visitas diárias.

O sucesso logo expandiu a visão empresarial do autor, que passou a fabricar uma série de produtos relacionados à sua criação, de camisetas a canecas. A publicação impressa era questão de tempo.

E ela chegou.

Há muitos aspectos positivos em relação a esta edição, a maioria ligada ao conteúdo, que é realmente muito bom. O tema "religião" é problemático (assim como política e futebol), pois pessoas fervorosas costumam ser sensíveis demais quando se trata de suas crenças.

Ainda assim, Ruas acerta a mão oferecendo humor e crítica em doses iguais. Muitas vezes, há uma mensagem contundente por trás de uma piada - é preciso estar atento. Ele sabe o momento que deve entreter, e quando alfinetar.

Por exemplo: a maneira com que trata Lúcifer injustiçado na obra é divertida e, em uma primeira leitura, pode parecer até inocente. Nas entrelinhas, contudo, percebe-se que o autor aborda o antagonismo que a Igreja católica criou, principalmente a partir do segundo milênio de nossa História, cujo objetivo era fortalecer suas fileiras. Ou seja, o autor estudou o assunto.

Há participações especiais o tempo todo: Einstein, Galileu, Nietzsche... São os melhores momentos das tiras. Também aparecem Marty McFly e Doc (de De volta para o futuro) em seu DeLorean. Inusitado? Divertido? Instrutivo? Contestador? Tudo isso e mais.

Destaque para o bebê Caim, que proporciona momentos engraçadíssimos. Todos notam que o garoto é um psicopata, exceto seus pais - será que o autor pensou em uma analogia ao excesso de liberalismo que a educação moderna adota?

O principal problema da edição não tem a ver com o conteúdo, mas com o trabalho da Devir. Há vários erros de ortografia (como "topeira", por exemplo) e parece que as vírgulas foram abolidas da publicação. Além disso, nas páginas 24 e 25 há uma tira repetida - impressionante a falta de atenção da revisão.

Mais: nas páginas em que são dispostas quatro tiras (neste caso, uma decisão do autor, que foi responsável pelo projeto gráfico), a leitura fica prejudicada, por causa do tamanho diminuto das letras.

Há uma mancada até mesmo na biografia de Carlos Ruas (de novo, o erro parece ser do autor, mas não foi consertado pela editora): o nome do álbum MSP Novos 50, do qual ele participa, saiu como MSP Outros 50.

Uma pena que um material tão bacana tenha tido uma revisão tão preguiçosa. Ainda mais porque a preguiça é um dos pecados capitais. Vai que Deus resolve castigar...

Classificação:

4,0

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