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Filmes

Traffic está na luta pelo Oscar

8 março 2001

TrafficNa corrida pelo próximo Oscar Traffic – Ninguém sai limpo, concorre a 5 estatuetas, incluindo a de melhor filme.

Esta produção americana, de Steven Soderbergh (indicado para melhor diretor), está sendo distribuída pela Europa Filmes e tem estréia marcada no Brasil para 16 de março.

Com roteiro baseado na mini-série inglesa (do British Channel) de 4 partes Traffik (que descreve a rota do tráfico de heroína do Paquistão à Grã-Bretanha), o filme mostra como funciona o esquema de distribuição de drogas entre México e Estados Unidos; e as dificuldades para conter o problema.

A narrativa entrelaça três diferentes histórias para mostrar todos os lados desta guerra.

Numa delas, Michael Douglas é Robert Wakefield, um juiz da Suprema Corte americana prestes a assumir o cargo deCzar do programa anti-droga. Ele e a esposa Bárbara (Amy Irving) enfrentam momentos difíceis quando descobrem que a filha de 16 anos(a atriz Erika Christensen) é dependente.

Catherine Zeta-Jones interpreta Helena Ayala, casada (sem saber) com um chefão do tráfico na Califórnia, e cujo mundo de fantasia e luxo desmorona com a prisão do marido. Helena fica na mira dos policias do DEA (Nota do UHQ: Drug Enforcement Agency, a agência de controle ao narcotráfico nos EUA), Montel Gordon (vivido por Don Cheadle) and Ray Castro (Luis Guzman), ambos haviam atuado anteriormente em Irresistível Paixão (outro filme de Soderbergh).

Benício Del Toro está excelente como Javier Rodriguez, um policial corrupto com um talento invejável para a sobrevivência. O papel lhe rendeu a indicação de melhor ator coadjuvante.

No elenco ainda encontramos, Dennis Quaid, Miguel Ferrer, Steven Bauer e Albert Finney.

A fotografia do filme (feita por Soderbergh, sob o pseudônimo de Peter Andrews) impressiona por seu preciosismo, usando filtros, saturação de cores (entre outros recursos) para acentuar situações e personagens (amarelo no México de Javier Rodriguez; Azul na América de Robert Wakefield).

Em determinado momentos (em particular nas seqüências mexicanas), tanto os movimentos de câmera quanto a granulação do filme se modificam, dando mais dramaticidade e imprimindo uma atmosfera de calor opressivo à narrativa.

O filme tem alguns problemas, como a ingenuidade do personagem de Michael Douglas, que chega a irritar, mas sem comprometer; e a ótica parcialíssima do roteiro, segundo o qual os agentes da polícia americana não se envolvem em nenhum tipo de corrupção.

Mas Traffic não isenta os americanos e sua sociedade, mostrando parte da realidade do maior mercado consumidor de narcóticos do mundo. Onde os políticos usam o combate as drogas como argumento de campanha e os pais têm cada vez menos controle sobre seus filhos.

Michael Douglas chega à conclusão que a guerra ao tráfico deveria empregar as regras do mercado; e não somente as táticas militares e policiais. Não há como acabar com a oferta sem se extinguir a demanda! Principalmente, se a oferta pode estar dentro de sua casa.

O tema de Traffic fala alto aos corações americanos, cuja crítica tem elogiado bastante o filme (ganhou recentemente o prêmio de Melhor Filme do Ano dos críticos de Nova Iorque) mas, apesar de ser um bom filme, dificilmente levará a cobiçada estatueta no dia 25 de março próximo.

Nota

3,5

Links Sugeridos: 
Site da USA Films

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